Diretor de 'Sirãt', rival de 'O agente secreto' no Oscar, critica vitórias do Brasil: 'São ultranacionalistas'
O cineasta franco-espanhol Oliver Laxe gerou polêmica, na última quinta-feira (22), ao minimizar a qualidade do cinema brasileiro, em entrevista ao programa televisivo "La revuelta", da emissora pública espanhola TVE. Concorrente de "O agente secreto" no Oscar, o profissional europeu sugeriu que as recentes vitórias do cinemas nacional em premiações relevantes da sétima arte, como o Festival de Cannes e o Critics Choice, têm relação com a ampla presença de brasileiros no mundo, inclusive nas comissões que compõem os júris de tais eventos, como ele afirmou.
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"Há muitos brasileiros na Academia (organização responsável pelo Oscar), e nós os adoramos... Mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele", disse o diretor. Ele participava da atração televisiva no momento em que os indicados ao Oscar foram divulgados. "Sirãt" concorre apenas à categoria de melhor filme internacional, enquanto "O agente secreto" disputa quatro indicações (além de melhor filme internacional, melhor filme, melhor ator — para Wagner Moura — e melhor elenco). "Ganhar prêmios é um bônus. O melhor mesmo é fazer filmes", declarou Oliver, na ocasião.
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As falas do cineasta geraram revolta nas redes sociais e foram consideradas xenofóbicas por parte de internautas. Brasileiros reagiram com comentários na página do filme "Sirãt" no Instagram. "Este filme Sirãt é um ótimo filme para curar a insônia", ironizou uma pessoa. "Ser brasileiro envolve tanta complexidade que gringo não entende mesmo", respondeu outra usuária da rede social. "Respeita o Brasil: o choro é livre", acrescentou mais um.
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Ao falar sobre a força da representação brasileira na Academia, Oliver ressaltou o contingente de cerca de 70 integrantes do país, que reúne atores como Sonia Braga, Rodrigo Santoro, Fernanda Torres, Alice Braga, Maeve Jinkings, Wagner Moura e Selton Mello, cineastas como Walter Salles, Fernando Meirelles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho, além de produtores, músicos e roteiristas.
Atualmente, cerca de 10,9 mil membros compõem a Academia do Oscar, sendo pouco mais de 9,9 mil com direito a voto. O ingresso não se dá por candidatura espontânea, mas por meio de indicações: para se filiar, o profissional precisa ser recomendado por dois integrantes do mesmo ramo de atuação, e os nomes ainda passam pelo crivo de um comitê interno. Já os indicados ao Oscar ganham visibilidade automática dentro da instituição e podem ser admitidos sem a exigência de padrinhos.