Em discurso de apoio à regulamentação do uso de IA, Paris Hilton relembra vazamento de vídeo íntimo aos 19 anos
A socialite Paris Hilton esteve na manifestação ao lado de fora do Capitólio, em Washington, nos Estados Unidos, para apoiar a criação da Lei de Imagens Falsificadas Explícitas e Edições Não Consentidas, conhecida como Lei Defiance (termo em inglês). Se aprovada, esta legislação permitirá que vítimas de conteúdo sexualmente explícito gerado por inteligência artificial (IA) tomem medidas legais contra pessoas que o criem, distribuam e solicitam com a intenção de distribuí-lo. Hoje, aos 44 anos, Paris falou sobre o que sofreu aos 19 anos, quando teve um vídeo íntimo vazado.
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A divulgação das imagens ocorreu em 2004, o que Paris frisou, na última quinta-feira (22), diante da discussão, que o caso foi um abuso e um crime, não um mero escândalo.
— Quando eu tinha 19 anos, um vídeo privado e íntimo meu foi espalhado pelo mundo, sem meu consentimento — disse durante seu discurso em Washington. — As pessoas chamaram isso de escândalo. Não era; foi um abuso. Não havia lei para me proteger na época. Nem sequer havia o vocabulário para descrever o que fizeram comigo. A internet era novidade, e a crueldade que vinha com ela, também.
O vídeo foi gravado pelo então namorado da socialite, Rick Salomon. A expectativa era que o registro do momento íntimo ficasse apenas entre o casal. Ainda assim, aceitar gravá-lo somente aconteceu sob pressão do parceiro, que era bem mais velho do que ela. Para ter coragem de fazer as imagens, Paris consumiu álcool e comprimidos tranquilizantes. O episódio é narrado em seu livro "Paris Hilton: A autobiografia" (título no Brasil), publicado em 2024, lembrou o jornal argentino La Nacion.
— Aquelas pessoas não me enxergavam como uma jovem que havia sido explorada. Não viam o pânico que eu sentia, a humilhação ou a vergonha. Ninguém me perguntou o que eu havia perdido: o controle sobre o meu corpo, sobre a minha reputação. O meu senso de segurança e a minha autoestima foram roubadas — disse no discurso.
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A lei busca coibir a disseminação de imagens explícitas, falsificadas ou não consensuais geradas por IA, cada vez mais comum.
A discussão ocorre num momento em que o assunto está em alta em todo o mundo. Um dos principais pontos atuais é o sua da IA Grok, na plataforma X, do bilionário Elon Musk, que permite, facilmente, alterar fotos de pessoas reais fazendo com que sejam "despidas", alterando as imagens numa substituição das roupas por lingeries e biquínis. Mulheres e crianças têm sido o principal alvo. Nesta semana, em um levantamento inédito, pesquisadores divulgaram que a ferramenta, sozinha, criou três milhões de imagens sexualizadas desses dois grupos, isto num período de apenas 11 dias, o que equivale a uma média de 190 por minuto.
Para Pris Hilton, o atual cenário, com o desenvolvimento da inteligência artificial possibilitando alteração de imagens agravou o problema e tem possibilitado novos crimes de forma acelerada.
— O que aconteceu comigo naquela época está acontecendo com milhões de mulheres e meninas, de uma forma nova e ainda mais assustadora. Antes, alguém precisava trair a sua confiança e roubar algo material. Agora, só são necessários um computador e a imaginação de um estranho. A pornografia deepfake virou uma epidemia — alertou.
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