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Coreia do Norte lança míssil em direção ao mar do Japão, dizem Japão e Coreia do Sul
A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira o que parecia ser um míssil balístico em direção ao mar do Japão, informou o Ministério da Defesa japonês. Análise: Com riscos econômicos e políticos elevados, crise entre China e Japão evoca antigos fantasmas na Ásia Crise: China e Japão convocam embaixadores após choque diplomático sobre Taiwan e ameaça de cônsul chinês a premier japonesa O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul também declarou ter detectado um “projétil” lançado em direção ao que Seul chama de mar do Leste. Este foi o segundo teste de armamentos realizado pelo regime norte-coreano neste mês, após uma salva de mísseis disparada antes da visita do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, à China, para uma cúpula. Nos últimos anos, a Coreia do Norte tem intensificado seus testes de mísseis. Analistas avaliam que Pyongyang busca aprimorar a precisão de seus ataques, em desafio aos Estados Unidos e à Coreia do Sul, ao mesmo tempo em que testa armamentos antes de uma eventual exportação para a Rússia. Nas próximas semanas, Pyongyang realizará um congresso do partido governista, o primeiro em cinco anos. Antes da reunião, o líder Kim Jong Un ordenou a “expansão” e a modernização da produção de mísseis do país.
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January 27, 2026 at 8:46 AM
Lei Seca no Mar chega a Niterói; fiscalização mira condutores alcoolizados e abusos com jet skis
A Marinha do Brasil iniciou este mês a Operação Lei Seca Marítima. Subordinada ao Comando do 1º Distrito Naval, a iniciativa tem como objetivo ampliar a fiscalização do tráfego aquaviário durante o período de maior movimentação do turismo náutico. Conduzida pela Capitania dos Portos, a operação busca reduzir riscos à navegação e prevenir acidentes provocados pela condução de embarcações sob efeito de álcool, além de reforçar a conscientização sobre o cumprimento das normas de segurança no mar. Chuvas: Temporal causa transtornos em Niterói, mas obras de drenagem fazem Zona Norte ser poupada Sem ar-condicionado: Usuários das barcas reclamam de calor a bordo As ações ocorrem com atenção especial às praias de Niterói, principalmente na região de Itaipu, onde há intensa circulação de lanchas, motos aquáticas e embarcações de recreio. Na edição anterior, durante o verão de 2024/2025, a Marinha realizou 16.368 inspeções navais em todo o estado. Banhistas relatam convivência difícil com jet skis na Praia de Piratininga Foto de leitor Durante as abordagens, as equipes de inspeção naval aplicam testes de alcoolemia nos condutores e verificam itens obrigatórios de segurança, como coletes salva-vidas e equipamentos de salvatagem, além da regularidade da documentação das embarcações e da habilitação dos pilotos. A fiscalização também observa o respeito às áreas reservadas aos banhistas, com foco na atuação irregular de motos aquáticas. Guarda municipal apoia Para a execução da operação, a Marinha emprega o Aviso-Patrulha Marlim, duas embarcações e uma moto aquática da Capitania. A ação conta ainda com apoio da Guarda Municipal de Niterói, cujos agentes atuam embarcados nos meios navais; e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que participa com uma moto aquática voltada à fiscalização ambiental. Segundo o capitão dos portos do Rio de Janeiro, Luciano Calixto, Niterói concentra intensa atividade náutica, com práticas esportivas, pesca, turismo e transporte marítimo distribuídos pela Baía de Guanabara e pelas praias oceânicas. De acordo com ele, o aumento no número de denúncias de comportamentos que colocam em risco a segurança dos banhistas embasou a decisão de levar a operação para o município. — Levar essa operação para Niterói é uma resposta a demandas e queixas frequentes. Percebemos um aumento no número de denúncias marítimas — afirmou. Segundo a corporação, as ações que se aplicam a outras praias do estado, como Marapendi e Urca, ambas no Rio, apontam, até o momento, 233 abordagens, com a aplicação de 231 testes de alcoolemia e a emissão de 25 notificações por infrações constatadas. De acordo com a Capitania dos Portos, a Operação Lei Seca Marítima seguirá ao longo de todo o verão, com caráter permanente e reforço nos fins de semana e feriados prolongados, quando o fluxo de embarcações tende a aumentar. O problema, no entanto, não se restringe à alta temporada. Ao longo de todo o ano, moradores e frequentadores relatam a circulação irregular de jet skis próximos à faixa de areia, muitas vezes em alta velocidade, comprometendo a segurança e a tranquilidade dos banhistas. As queixas se concentram, sobretudo, nas praias de Itaipu e Piratininga, na Região Oceânica, e em Icaraí, na Zona Sul. Nas redes sociais, os relatos sobre abusos cometidos por pilotos de motos aquáticas também são frequentes. Em uma das publicações, um internauta questiona: “Até quando essa exibição desnecessária que coloca a vida dos banhistas em risco?”. Em outra, a cobrança recai sobre os órgãos fiscalizadores: “Cadê a fiscalização da Marinha? Já vi várias postagens e nada resolve”. Uma portaria da União, publicada em 2022, determina que a navegação com motos aquáticas deve respeitar a distância mínima de 200 metros da faixa de praia, seja marítima, fluvial ou lacustre. A Marinha reforça que a população pode colaborar com a fiscalização, denunciando de forma anônima situações de risco envolvendo embarcações pelos telefones (21) 97299-8300 e (21) 2104-5480, inclusive com envio de fotos e vídeos. Initial plugin text
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January 27, 2026 at 8:19 AM
Padrinho Paulo Roberto: acusado de violação sexual, líder do Santo Daime no Rio começa a ser julgado nesta terça
Paulo Roberto Silva e Souza, de 76 anos, líder religioso réu pelos crimes de violação sexual mediante fraude e violência psicológica, começará a ser julgado nesta terça-feira à tarde no Tribunal de Justiça do Rio, no Centro da cidade. Ele responde pelos crimes após denúncias de sua ex-assistente pessoal, a advogada Jéssica Nascimento de Sousa. 'Violada, explorada, humilhada e carregada com uma energia sexual sombria': Americana que acusa Padrinho Paulo Roberto de assédio Padrinho Paulo Roberto já foi alvo de suspensão nos EUA; após novas denúncias, instituições do Daime se manifestam No ano passado, como revelado pelo GLOBO, o fundador da Igreja Céu do Mar, primeira de Santo Daime fora da Amazônia, teve a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). Após a publicação de uma série de reportagens e dos relatos de outras cinco mulheres, além do processo com julgamento nesta terça, uma nova denúncia foi aceita pela Justiça. Ambos os processos tramitam em sigilo. Houve uma tentativa, por parte da defesa do réu, de postergar o início do julgamento. Na última semana, alegou-se que testemunhas do lado do acusado poderiam risco de exposição, já que uma manifestação contra abusos de religiosos está marcada para esta terça na porta do Fórum. A divulgação foi feita por coletivos de diversidade via redes sociais. O TJRJ, porém, até o fechamento desta edição, manteve a audiência. Os advogados do réu não responderam às solicitações do GLOBO. Jéssica Nascimento de Sousa procurou a delegacia da Taquara, em setembro de 2024, para denunciar abusos Júlia Aguiar/Agência O Globo Thayná Silveira, advogada da vítima ao lado de Deborah Rabay, diz crer que a audiência ocorrerá com tranquilidade: — A audiência é um ato processual técnico, sob condução exclusiva do Poder Judiciário, e não sofre interferência de manifestações públicas pacíficas. Relembre o caso O homem conhecido como Padrinho Paulo Roberto é Paulo Roberto Silva e Souza, psicólogo do Rio de Janeiro e líder religioso que chegava a cobrar meio milhão de reais por trabalhos religiosos no exterior. Ele foi denunciado pela advogada Jéssica Nascimento, sua ex-assistente, por abuso sexual. Ela contou, em trechos do processo, que o líder, ao saber de suas fragilidades a convocou para uma “terapia de cura” e tocou em partes de seu corpo. A primeira abordagem teria ocorrido em abril de 2022. A denúncia foi feita à polícia, depois chegou ao MP. Apesar de ter negado a prisão preventiva em dezembro, a juíza Renata Travassos Medina de Macedo solicitou à defesa de Paulo Roberto e-mail e telefone do acusado para facilitar futuras intimações. Na mesma decisão, entre as medidas estavam a entrega de passaporte e expedição de ofício à Polícia Federal para que o acusado ficasse impossibilitado de sair do país sem prévia autorização judicial. À época da repercussão do caso, uma pessoa próxima ao psicólogo disse que ele se encontrava "isolado" em sua fazenda localizada na zona rural de Ilhéus, no sul da Bahia. Uma das testemunhas ouvidas pelo GLOBO conta que, além das "terapias" ou "sessões de cura", Paulo Roberto fazia chantagens a algumas das que se negavam a participar dos tais "trabalhos espirituais" e dizia que não ia mais rezar por elas. Thayná Silveira, advogada da vítima, e que também orienta Isabela Augusto, que conviveu com o denunciado e chegou a coordenar a ala feminina da igreja, avalia a existência de outros atos de manipulação: — De acordo com a denúncia, constam no processo os crimes de violação sexual mediante fraude e violência psicológica, praticados a partir do uso abusivo da autoridade espiritual para viciar o consentimento da vítima. A depender do aprofundamento da prova, a dinâmica de influência indevida também podemos pensar em outros enquadramentos, como assédio sexual por conta da relação de subordinação ou dependência (no caso aqui de natureza espiritual), constrangimento ilegal onde se há o vício de consentimento pensando que a vítima está compelida por medo de retaliação espiritual a praticar e/ou tolerar atos contra a sua vontade e estelionato, especialmente quando há exploração da vulnerabilidade emocional e eventual vantagem patrimonial. Todo o caso deve ser analisado à luz da assimetria de poder presente em relações de liderança religiosa, pois deve-se levar em consideração que a influência indevida se caracteriza pelo uso abusivo de uma posição de autoridade, seja por lá espiritual, moral ou simbólica, para suprimir ou distorcer a capacidade de autodeterminação da vítima. Deborah Rabay e Thayná Silveira, advogadas da vítima Jéssica Nascimento Divulgação Instituições se manifestaram No dia 15 de dezembro de 2025, o Centro Eclético Fluente Luz Universal Sebastião Mota de Melo (Ceflusmme), responsável pela igreja Céu do Mar, fundada por Paulo Roberto, divulgou um comunicado após a repercussão da reportagem que abriu uma série de denúncias feitas por seguidoras do Santo Daime contra o líder religioso. Mulheres daimistas, entre elas uma estrangeira, e outros frequentadores afirmaram ter testemunhado práticas abusivas dentro da igreja e em viagens ao exterior. Já a Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal (Iceflu), Patrono Sebastião Mota de Melo, também se manifestou. Reconheceu o papel de destaque de Paulo Roberto no passado. Mas, do ponto de vista ético, considerou inaceitáveis suas possíveis condutas de abuso e importunação sexual. A instituição manifestou solidariedade com as vítimas de abuso e reafirmou o compromisso em ouvir e apoiar qualquer pessoa que tenha enfrentado situações de violência ou assédio. Paulo Roberto é fundador e dirigente da igreja Santo Daime Céu do Mar, entidade que não possui vínculo institucional com a ICEFLU. A igreja Céu do Mar, no entanto, mantém vínculo histórico com o Centro Eclético Fluente Luz Universal Sebastião Mota de Melo (CEFLUSMME), instituição distinta da ICEFLU. Na Igreja Céu do Mar, em São Conrado: Jéssica, entre Paulo Roberto e a mulher dele, Raimunda Nonata Reprodução
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January 27, 2026 at 8:01 AM
Inea interdita indústria de aves em Barra do Piraí por falta de licenças, maus tratos aos animais e contaminação do solo; entenda
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) interditou, na segunda-feira, duas unidades de uma indústria de aves localizadas em Barra do Piraí, no Sul Fluminense. Os locais integram um conjunto de oito granjas, pertencentes a Reginaves Indústria e Comércio de Aves (Rica), que operam sem licenciamento ambiental, em desacordo com a legislação vigente, explica o órgão. Outras diversas irregularidades foram verificadas pelos técnicos do Inea. Fotos divulgadas pelo instituto mostram diversas carcaças de aves espalhadas pelo chão em meio a animais vivos, assim como sujeira nos potes onde deveria haver água para os bichos. As multas aplicadas podem ultrapassar R$ 2 milhões. Cerca de 40 pessoas participaram da ação. Após denúncias de 'puxadinhos' feitos por quiosques: Justiça Federal ordena a retirada de estruturas irregulares na praia da Barra da Tijuca Britney Spears no Rio? Organização desmente negociações; Paes diz 'desconhecer atração' Sujeira no pode onde deveria haver água e ave sem conseguir se hidratar Divulgação Além da licença ambiental, detalha o órgão, a suspensão das atividades deve-se à captação superficial de recursos hídricos não autorizada, à emissão de poluentes atmosféricos decorrentes da queima irregular de resíduos animais, à contaminação do solo por conta de resíduos oleosos provenientes do gerador, aos maus-tratos aos animais, bem como à proliferação de insetos sem controle de vetores, ocasionando riscos à saúde pública e à vizinhança. Os locais interditados integram um conjunto de oito granjas, pertencentes a Reginaves Indústria e Comércio de Aves (Rica) Divulgação A operação faz parte de um processo iniciado pelo Inea em 2025, após o recebimento de reclamações da população sobre o mau odor persistente e a proliferação de insetos, especialmente de moscas, que vinham afetando diretamente a região do entorno. Aves vivas em meio a carcaças de animais Divulgação Vistorias e notificações O Inea destaca que, antes da interdição desta segunda-feira, a Diretoria de Licenciamento Ambiental do órgão fez vistorias técnicas e reuniões com representantes da empresa e emitiu notificações com uma série de exigências que pudessem solucionar os problemas observados. Além disso, foi proposta a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No entanto, afirma o instituto, essas determinações não foram cumpridas dentro do prazo de 90 dias estabelecido. Ligação hidráulica clandestina Divulgação — O papel do Inea é garantir que todas as atividades econômicas sejam desenvolvidas de forma regular e sem colocar em risco a saúde da população ou o meio ambiente. A interdição dessas granjas é uma medida necessária diante do descumprimento reiterado das normas e da ausência de providências por parte da empresa. Seguimos trabalhando em prol do estado — afirma o secretário do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi. Com a operação, o número de unidades interditadas da empresa chega a três, incluindo uma granja já fechada anteriormente no município de Rio Claro, no fim do ano passado. Outras unidades continuam sob monitoramento do órgão ambiental. Questionada pelo GLOBO, a empresa ainda não se pronunciou.
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January 27, 2026 at 8:01 AM
Cerco digital: até 2028, Centro de monitoramento terá acesso a imagens de mais de 245 mil câmeras em todo o Estado do Rio
O Estado do Rio avança na ampliação do que vem sendo chamado de cerco digital, com a multiplicação de câmeras de monitoramento e a incorporação crescente de tecnologias de inteligência artificial (IA). Os “olhos eletrônicos” que vigiam vias públicas e estão conectados ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) chegam a mais de 32 mil em 23 municípios fluminenses, inclusive a capital. Estão nesta rede equipamentos de governos e privados. Mas o número que deve dar um salto de pelo menos 665% até 2028, com a instalação de mais 213 mil câmeras, todas com IA, do governo estadual e da Prefeitura do Rio. Vai ser difícil não ser vigiado. Novas unidades: Castro assina decreto que cria batalhões da PM em São Gonçalo, Nova Iguaçu, Jacaré e Maricá 'Perdeu a vida trabalhando', diz pai de motoboy morto a tiros enquanto fazia entrega na Zona Oeste do Rio A Polícia Militar faz as contas do resultado desse sistema. Segundo o major Agdan Miranda Fernandes, diretor de Infraestrutura e Tecnologia da corporação, ele já permitiu, desde setembro de 2024, recuperar 1.015 veículos, pelo mecanismo de leitura de placas, e localizar 80 desaparecidos. A partir de 31 de dezembro de 2023, facilitaram ainda a prisão de 753 pessoas por reconhecimento facial. O oficial garante que essas câmeras podem monitorar até mesmo áreas onde a internet é controlada por facções ou milícias. — Usamos o sistema de internet de grandes operadoras e links oficiais. Em áreas onde criminosos implantam a internet deles, os bandidos só atuam na ponta da linha, numa microrregião, obrigando pessoas a contratar seus serviços, mas não interferem em nossa conexão — assegura Fernandes. O Caminhão Comando Móvel da PM com câmera elevada amplia o monitoramento no entorno do Maracanã Leo Martins/Agência O Globo Copacabana e Belford Roxo A maior parte das câmeras que integram o CICC ainda opera com videomonitoramento tradicional, sem IA acoplada. Parte desses equipamentos, no entanto, está integrada ao sistema de reconhecimento facial da PM, permitindo o cruzamento de imagens captadas com as de bases oficiais. As câmeras utilizam diferentes modelos, mas seguem, em geral, o protocolo internacional RTSP (Real Time Streaming Protocol), adotado por fabricantes em grande parte do mundo. As imagens captadas são cruzadas com as de bases de dados da Polícia Civil, do Detran e do Banco Nacional de Mandados de Prisão. De acordo com o estado, o acesso às centrais de monitoramento é restrito, feito por meio de credenciais pessoais e intransferíveis, com todas as consultas auditáveis. O governo afirma ainda que o sistema atende aos princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), exigindo que cada consulta tenha uma finalidade específica e devidamente registrada. CICC capta atualmente imagens de mais de 32 mil câmeras de 23 municípios fluminenses Editoria de Arte Para fevereiro, está marcada a licitação do Programa Sentinela. A proposta é instalar em todos os municípios fluminenses 200.529 equipamentos com IA. Em softwares e câmeras estão previstos investimentos de cerca de R$ 1,4 bilhão. As primeiras unidades, anuncia Agdan, serão implantadas no bairro de Copacabana, no Rio, e no município de Belford Roxo. — Nossa meta é, após a conclusão da licitação, implantar todos os equipamentos entre um ano e um ano e meio — informa o major. No âmbito municipal, a Prefeitura do Rio iniciou, no fim do ano passado, a instalação de um novo sistema de supercâmeras inteligentes, posicionadas em vias expressas e em pórticos nas entradas da cidade. Os equipamentos têm capacidade para identificar até três mil situações simultâneas em segundos, incluindo padrões de comportamento, deslocamentos suspeitos e veículos associados a crimes. Barra da Tijuca: após denúncias de 'puxadinhos' feitos por quiosques, Justiça Federal ordena a retirada de estruturas irregulares na praia A iniciativa integra a expansão do Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas). Desde junho de 2024, a central contribuiu para a solução de 2.800 inquéritos e gerou 160 mil alertas em tempo real às forças de segurança. Até agora, foram instaladas 2.300 supercâmeras, que estão em fase de testes e devem começar a operar efetivamente a partir do primeiro semestre do próximo ano. A meta da prefeitura é chegar a 15 mil supercâmeras até 2028. De acordo com o Civitas, os alertas gerados atualmente se concentram principalmente na passagem de veículos suspeitos. De junho de 2024 até agora, o sistema produziu 232.574 alertas em tempo real, encaminhados às forças policiais e aos sistemas de Justiça. ‘Resposta mais rápida’ Professor do Programa de Engenharia Elétrica (PEE) da Coppe/UFRJ, Rodrigo de Souza Couto destaca a superioridade do monitoramento de hoje se comparado com de cinco anos atrás. Ele explica que os novos modelos de IA evoluíram muito e estão, “cada vez mais, capazes de determinar padrões, descrevendo o que acontece”. A tendencia, diz o professor, é a IA passar a estar acoplada às câmeras de monitoramento. Hoje, a maioria dos equipamentos — como os do Centro de Operações e Resiliência, COR, da prefeitura, usados pela Coppe para monitorar o mar — geram imagens para um data center. Preservado: Paes afirma que chegou a acordo para pagar dívida da RioTur e suspender leilão do Pavilhão da Feira de São Cristóvão — Neste caso, há latência, atraso. Quando a câmera possui o que chamamos de computação na borda, a IA no próprio equipamento, os dados não precisam percorrer uma rede de comunicação, e os alertas são gerados de forma mais rápida. Quanto mais perto a IA estiver do equipamento, mais rápida a resposta — explica Couto. Entre os 23 municípios fluminenses que participam do Programa 190 Integrado, possuindo câmeras visualizadas no CICC, além do Rio, estão, por exemplo, Maricá, Petrópolis, São João de Meriti, Búzios e Angra dos Reis e Saquarema. Em Maricá, há 770 equipamentos públicos e dois mil privados, mas há a expectativa que esse número chegue a sete mil nos próximos anos. São Gonçalo está entrando no Programa 190 Integrado. Já a Prefeitura de Niterói não tem equipamentos visualizados no CICC. Possui seu Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), que opera 825 dispositivos de monitoramento e 38 portais de segurança instalados nas entradas e saídas da cidade. 'Primavera dos enredos': Simas e Fabato explicam como as escolas de samba transformaram suas narrativas na última década Entre empresas privadas que participam do 190 Integrado, a startup Gabriel, fundada em 2020, opera atualmente mais de 9.400 câmeras ativas no Rio e em Niterói. O modelo conecta câmeras colocadas em fachadas de imóveis privados às autoridades públicas, formando o que a empresa chama de “Área de Proteção”. Segundo a startup, a rede contribuiu para 6.700 análises de ocorrências criminais, resultando na detenção de 486 suspeitos, na localização de dez desaparecidos, na inocentação de oito pessoas acusadas injustamente e na recuperação de mais de 130 veículos. Imagens captadas por câmeras da Gabriel foram fundamentais para identificar a rota de fuga de um assaltante em Botafogo, em setembro de 2025. As informações encaminhadas à 10ª DP permitiram a prisão do suspeito e a apreensão de celulares roubados. Caso semelhante ocorreu em fevereiro de 2023, quando imagens da empresa ajudaram a mapear a movimentação de um suspeito envolvido em múltiplos assaltos na mesma região.
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January 27, 2026 at 8:01 AM
Arroz com ovo, mais do que para quebrar um galho: supera a carne vermelha em valor nutricional
Durante muito tempo, a combinação de arroz com ovo foi percebida apenas como um prato de emergência ou um símbolo de simplicidade na cozinha. No entanto, a ciência dos alimentos transformou essa narrativa, demonstrando que essa dupla é, na realidade, uma das combinações mais eficientes do ponto de vista nutricional. O que antes era considerado um cardápio de escassez hoje é reconhecido como uma fórmula de alto rendimento para quem busca saúde e energia sustentada. A eficácia desse prato reside no conceito de Valor Biológico (VB). O arroz é uma excelente fonte de energia, mas carece de um aminoácido essencial chamado lisina. O ovo é considerado uma excelente fonte de vitaminas e minerais Freepik Por sua vez, o ovo possui todos os aminoácidos de que o corpo humano necessita. Ao se unirem, o ovo completa o perfil do cereal, criando uma proteína de alta qualidade que o organismo utiliza para produzir hormônios e reparar tecidos musculares com uma eficiência comparável — e, às vezes, superior — à das carnes vermelhas. Por que os esportistas escolhem esse prato Para quem pratica atividade física intensa ou esportes de resistência, o arroz com ovo se consolidou como um aliado estratégico. As razões de sua popularidade no campo do bem-estar físico incluem: Energia duradoura: os carboidratos presentes no arroz são fundamentais para recarregar as reservas de glicogênio do corpo. Reparação de tecidos: os aminoácidos de alta disponibilidade do ovo reconstroem as fibras musculares após o exercício. Eficiência econômica: representa a forma mais acessível de obter uma proteína completa sem a necessidade de recorrer a suplementos caros. — O arroz com ovo é como um jogo de Lego: o ovo coloca as peças que faltam ao arroz para construir saúde — afirma Bruno Román, especialista em ciência dos alimentos, em declarações ao portal de notícias Miyeilis Flores. Dicas para maximizar os benefícios do arroz com ovo Para elevar esse prato a um nível superior de bem-estar, existem técnicas simples que melhoram seu perfil metabólico. Uma delas é o choque térmico: cozinhar o arroz com antecedência, deixá-lo esfriar na geladeira e reaquecê-lo suavemente antes de consumi-lo. Esse processo gera amido resistente, um tipo de fibra que é absorvida mais lentamente e beneficia a microbiota intestinal. Quanto à segurança alimentar, recomenda-se lavar o arroz repetidas vezes até que a água fique transparente e cozinhá-lo com bastante água para reduzir os vestígios de arsênio que o cereal absorve do solo. Da mesma forma, para evitar picos de açúcar no sangue, o ideal é acompanhar o prato com uma porção de vegetais verdes, cuja fibra desacelera a absorção do amido. Existem diversas maneiras de integrar esses ingredientes para obter resultados ideais de acordo com o objetivo pessoal: Combinação com leguminosas: misturar arroz com lentilhas ou grão-de-bico junto com o ovo potencializa a qualidade proteica e o aporte de fibras. Arroz integral com ovo pochê: o uso de grãos integrais aumenta o teor de vitaminas, enquanto o cozimento do ovo em água preserva os nutrientes da gema. Refogado com vegetais: incorporar brócolis, pimentões ou cenouras em fogo médio permite uma digestão mais leve e maior saciedade. É importante manter um equilíbrio nas proporções, priorizando aproximadamente meia xícara de arroz para cada ovo, para não deslocar a proteína com um excesso de carboidratos. Evitar o fogo excessivo que doura demais as bordas do ovo é fundamental, já que o calor extremo pode degradar as proteínas e oxidar as gorduras saudáveis da gema, reduzindo o valor dessa poderosa ferramenta nutricional.
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January 27, 2026 at 7:47 AM
Novo estudo explica por que a Terra esfriou após a era dos dinossauros
Durante décadas, cientistas tentaram compreender como a Terra deixou de ser um planeta quente, com florestas tropicais avançando sobre altas latitudes, para assumir o clima mais frio e estável atual, marcado por calotas polares. Essa transição, iniciada após a extinção dos dinossauros, ocorreu de forma gradual ao longo dos últimos 66 milhões de anos. Um novo estudo internacional sugere agora que a resposta para esse enigma passa pela química dos oceanos, um fator até então subestimado nas explicações climáticas de longo prazo. Pesquisadores liderados pela Universidade de Southampton indicam que a queda contínua dos níveis de cálcio dissolvido na água do mar teve papel decisivo nesse processo. Segundo o trabalho, publicado, no início do mês de janeiro, nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences), a concentração de cálcio nos oceanos diminuiu mais de 50% ao longo da Era Cenozoica, alterando profundamente a forma como os mares trocavam carbono com a atmosfera. O papel ativo dos oceanos no clima De acordo com os autores, logo após a extinção dos dinossauros, os níveis de cálcio eram cerca do dobro dos atuais. Essa condição favorecia a liberação de dióxido de carbono para a atmosfera, reforçando o efeito estufa. Com o passar de milhões de anos, a redução do cálcio modificou processos biogeoquímicos marinhos e ampliou a capacidade dos oceanos de reter carbono, contribuindo para uma queda sustentada do CO₂ e para o resfriamento global. O autor principal do estudo, David Evans, afirma que os resultados redefinem o papel dos oceanos na história climática do planeta. Segundo ele, quando o cálcio era mais abundante, os mares armazenavam menos carbono e liberavam mais CO₂. À medida que essa concentração diminuiu, o processo se inverteu, permitindo uma redução da temperatura média global estimada entre 15 °C e 20 °C ao longo do Cenozoico. Para chegar a essas conclusões, a equipe analisou foraminíferos — micro-organismos marinhos cujas conchas fossilizadas preservam a composição química da água do mar. Esses registros, combinados a modelos computacionais do ciclo do carbono, permitiram reconstruir com alta precisão a evolução química dos oceanos e sua influência sobre a atmosfera. O estudo também relaciona a queda do cálcio oceânico a processos geológicos profundos, como a desaceleração da expansão do fundo do mar, que reduziu o aporte desse elemento à água oceânica. Para os pesquisadores, essa dinâmica mostra que os oceanos não apenas reagiram às mudanças climáticas, mas atuaram como reguladores centrais do clima ao longo de eras geológicas. A descoberta amplia a compreensão sobre o passado climático da Terra e oferece novos subsídios para aprimorar modelos que projetam o futuro do sistema climático em um cenário de aumento acelerado do dióxido de carbono.
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January 27, 2026 at 7:21 AM
Tijolão: Por que o Nokia 1100 foi o celular mais famoso da primeira década dos anos 2000?
Por que um celular simples, sem internet ou câmera, conseguiu se tornar um fenômeno global? A resposta ajuda a entender o sucesso do Nokia 1100, lançado em 2003 e transformado em símbolo de uma era em que o telefone precisava, sobretudo, funcionar. Conhecido popularmente como “tijolão”, o aparelho se destacou ao reunir três fatores decisivos para o início dos anos 2000: durabilidade, facilidade de uso e custo acessível. O Nokia 1100 chegou ao mercado em um momento de rápida expansão da telefonia móvel, quando milhões de pessoas ainda compravam seu primeiro celular. Em vez de apostar em recursos avançados, a marca finlandesa optou pelo essencial: chamadas e mensagens de texto. O design robusto, com capa antiderrapante, teclado confortável e estrutura resistente a quedas, fez do modelo um aparelho confiável para o uso cotidiano, inclusive em ambientes de trabalho e regiões com pouca infraestrutura. Simples por escolha, eficiente por natureza Outro fator central para sua popularidade foi a bateria de longa duração, capaz de manter o telefone ativo por vários dias sem recarga — uma vantagem crucial em uma época de acesso limitado à energia elétrica. A lanterna embutida, por sua vez, ampliava a utilidade do aparelho em situações de emergência ou baixa visibilidade. O conjunto de funções básicas incluía agenda, despertador, calculadora e alguns jogos, entre eles o clássico Snake, que ajudou a consolidar o apelo do modelo entre diferentes faixas etárias. A ausência de câmera, acesso à internet ou aplicativos não era uma limitação, mas parte da proposta. O Nokia 1100 cumpria com eficiência sua principal função: permitir que as pessoas se comunicassem. Com preço de lançamento em torno de US$ 100, o aparelho contribuiu para democratizar o acesso à telefonia móvel e impulsionou sua adoção em larga escala, especialmente em países emergentes. Mesmo duas décadas depois, o modelo permanece relevante como objeto de memória e interesse comercial. Aparelhos usados ainda são vendidos por cerca de US$ 70 em plataformas como o eBay, enquanto unidades novas se tornaram raras. A permanência desse valor simbólico ajuda a explicar por que o Nokia 1100 não foi apenas popular, mas marcante. Os números confirmam esse impacto. Com cerca de 250 milhões de unidades vendidas, o Nokia 1100 lidera o ranking dos celulares mais vendidos da história, segundo levantamento da Visual Capitalist com base em dados do Yahoo Finance e da consultoria Omdia. O Nokia 1110 aparece logo atrás, com 248 milhões de unidades, reforçando como a estratégia de apostar em aparelhos simples, resistentes e acessíveis foi determinante para transformar o Nokia 1100 no celular mais famoso da primeira década dos anos 2000.
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January 27, 2026 at 7:21 AM
Túnel mais longo do mundo leva motoristas a 20 minutos sem ver a luz do dia na Noruega
E se a estrada simplesmente engolisse o dia e só devolvesse a luz 20 minutos depois? É essa a experiência de quem atravessa o túnel de Lærdal, na Noruega, o mais longo do mundo para tráfego rodoviário, onde motoristas passam cerca de 24,5 quilômetros sem qualquer contato com o exterior enquanto cruzam as montanhas entre as cidades de Lærdal e Aurland. Um colosso da hotelaria: conheça o maior hotel da Europa com 1.630 quartos Inaugurado em novembro de 2000, após cerca de cinco anos de obras, o túnel integra uma rota estratégica que liga Oslo a Bergen. Construído sob uma cordilheira com picos de até 1.400 metros de altitude, o projeto custou aproximadamente 1,08 bilhão de coroas norueguesas — o equivalente a cerca de 80 milhões de libras esterlinas — e foi pensado para substituir passagens de montanha frequentemente afetadas por neve e condições extremas. Um túnel pensado para o motorista Seções de "cavernas" iluminadas com cores aparecem aproximadamente a cada 6 quilômetros para quebrar a monotonia do percurso Reprodução/Wikimedia Commons Um dos aspectos mais singulares da estrutura é o cuidado com o conforto e a atenção de quem dirige. Em vez de um trajeto longo e uniforme, o túnel conta com câmaras ampliadas em intervalos regulares, semelhantes a cavernas, iluminadas com luzes coloridas. A proposta é criar pausas visuais que ajudem a reduzir a fadiga e mantenham os motoristas alertas durante a travessia, que leva cerca de 20 minutos a uma velocidade máxima de 80 km/h. Segundo a National Geographic, o túnel de Lærdal está entre os mais seguros do mundo. O sistema inclui ventilação moderna para manter a qualidade do ar, 15 câmeras de monitoramento e um mecanismo automatizado capaz de fechar a via em caso de acidente. Equipamentos de emergência, como extintores e telefones, estão distribuídos a cada 500 metros ao longo do percurso. A combinação entre engenharia, segurança e design transformou o túnel em uma atração turística improvável. Avaliações online destacam tanto a sensação de segurança quanto os trechos iluminados que quebram a monotonia da viagem subterrânea. Enquanto isso, outros países tentam alcançar feitos semelhantes. No Reino Unido, o governo planeja concluir em 2034 a Travessia do Baixo Tâmisa, um túnel rodoviário de cerca de 23 quilômetros que ligará Tilbury, em Essex, a Medway, em Kent, segundo o Departamento de Transportes. O projeto, concebido para aliviar o congestionamento da travessia de Dartford, deve desviar cerca de 13 milhões de viagens por ano e melhorar a fluidez do transporte de cargas rumo a Dover, reforçando o crescimento econômico ao longo do estuário do Tâmisa.
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January 27, 2026 at 7:21 AM
Regra 20/20: Conheça método que especialistas apontam como segredo para ter mais organização
Arrumar a casa pode parecer uma tarefa interminável, mas uma estratégia simples vem ganhando espaço entre organizadores profissionais por ajudar a tomar decisões mais rápidas e reduzir a ansiedade: a chamada “regra 20/20”. A ideia é direta — se um objeto pode ser substituído em até 20 minutos e por US$ 20 (R$ 105) ou menos, ele pode ser descartado sem culpa. Leia também: Cuidar dos netos faz bem para o cérebro, entenda Por que todos querem voltar a 2016? A psicologia por trás da obsessão viral com ‘o último ano feliz’ Segundo a organizadora profissional Regina Lark, a proposta funciona como um alívio mental para quem guarda itens “por via das dúvidas”. “A regra 20/20 na organização sugere que, se um item pode ser substituído em 20 minutos e por US$ 20 ou menos, em geral é necesssário se desfazer dele”, afirmou ao portal Huffpost. “O objetivo da regra é aliviar a ansiedade em torno do medo de precisar de algo no futuro. Acho que pode ser uma mudança de mentalidade útil, especialmente para pessoas que tendem a guardar coisas ‘só por precaução’”. Na prática, a regra se aplica a objetos pouco usados e facilmente substituíveis, como materiais de escritório em excesso, cabos antigos ou fones incompatíveis. Basta responder a duas perguntas: dá para comprar outro por menos de US$ 20? É possível encontrá-lo rapidamente, em uma loja próxima ou online, em até 20 minutos? Se a resposta for sim para ambas, a recomendação é abrir espaço e seguir em frente. Para Katie Hubbard, da empresa de organização Turn It Tidy, o método funciona especialmente bem com itens guardados para um futuro incerto. “A regra 20/20 funciona melhor para itens ‘só por precaução’ — coisas que guardamos para um futuro que ainda não chegou”, disse. Ela destaca que o conceito é útil em mudanças de casa: “Uma casa nova é um recomeço, e levar itens não usados e facilmente substituíveis geralmente só acrescenta bagunça desnecessária”. Anda sem foco? 3 passos para melhorar sua capacidade de atenção Entre os principais benefícios estão a redução da fadiga de decisão e a agilidade no processo de organização. “O principal benefício da regra 20/20 é que ela reduz o cansaço mental de decidir e ajuda as pessoas a avançarem com mais facilidade”, afirmou Lark. Hubbard concorda: “Os benefícios incluem decisões mais rápidas, menos carga emocional durante a arrumação e redução da bagunça sem excesso de reflexão”. Apesar das vantagens, especialistas alertam que a regra não é universal. “Como organizadora profissional, acredito que essa regra pode ser útil, mas não serve para todo mundo”, ponderou Hubbard. Ela lembra que tempo, mobilidade e orçamento variam muito. “Substituir vários itens também pode sair caro rapidamente, especialmente para quem tem renda fixa ou apertada.” Julie Naylon, da No Wire Hangers Professional Organizing, aponta outro risco: o excesso de cálculo. “Uma desvantagem seria a lentidão na tomada de decisões”, disse. “Alguns podem começar a pensar demais, pesquisando preços ou somando valores.” Ela questiona ainda a viabilidade do limite financeiro: “Hoje em dia, que itens custam menos de US$ 20?”. 'Blue monday': por que esta segunda é considerada o dia mais triste do ano? Há também o fator emocional. Lark ressalta que decisões sobre objetos nem sempre são racionais. “As decisões sobre bagunça costumam ser emocionais, não lógicas, e uma regra simples não consegue lidar totalmente com apego, memória ou experiências passadas de escassez.” Por isso, especialistas recomendam não aplicar a regra a itens sentimentais. “Acho melhor não usar essa regra ao decidir sobre objetos com valor afetivo”, afirmou Hubbard. Para quem deseja testar o método, a orientação é usá-lo como referência, não como obrigação. “Encare como uma sugestão, não como uma regra rígida”, aconselhou Naylon. Lark sugere começar por objetos emocionalmente neutros e lembrar dos custos invisíveis de manter algo guardado, como o espaço ocupado e a energia mental exigida para administrá-lo. Já Tova Weinstock, da Tidy Tova, defende cautela. Para ela, a regra deve ser um último recurso quando a indecisão trava o processo. “Se um cliente aplica a regra 20/20 de forma automática, a organização pode se tornar muito desperdiçadora”, alertou. Sua recomendação é uma relação mais consciente com os bens: “Se os pertences forem vistos como mais sagrados — e não apenas ‘fáceis de substituir’ — todos podemos ser mais cuidadosos nas compras. E isso nos levará a ter menos bagunça no geral”. No fim, a regra 20/20 não é uma solução mágica, mas pode ser uma aliada para quem busca leveza e praticidade ao organizar a casa — desde que usada com critério, consciência e sensibilidade.
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January 27, 2026 at 7:21 AM
'O agente secreto' é o menor orçamento entre os indicados ao Oscar de melhor filme; confira a ordem dos mais caros
Com orçamento de R$ 28 milhões, "O agente secreto" é o mais barato entre os indicados ao Oscar 2026 na categoria de melhor filme. Esse valor representa apenas 2,5% do custo de "F1: o filme", estrelado por Brad Pitt. Qual é a data do Oscar 2026? Veja quando acontece a premiação É o Brasil no Oscar: 'O agente secreto' conquista quatro indicações ao Oscar 2026: confira a lista completa Na lista de dez finalistas, três filmes custaram acima dos US$ 100 milhões, enquanto que outros três foram orçados em até US$ 10 milhões, incluindo o drama de Kleber Mendonça Filho. Mais uma vez, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood mostra que orçamento astronômico não é garantia de sucesso na premiação. Nos dois últimos anos, a premiação viveu momentos distintos com relação ao seu vitorioso. No ano passado, o Oscar de melhor filme foi conquistado por "Anora", o longa mais barato entre todos os concorrentes na categoria. Orçado em apenas US$ 4 milhões, o drama de Sean Baker custou mais barato, inclusive, que o brasileiro "Ainda estou aqui". Já em 2024, o vencedor foi um dos longas mais caros do ano: "Oppenheimer", com orçamento entre US$ 100 e 180 milhões. Confira quando custou todos os indicados ao Oscar de melhor filme, do mais caro ao mais barato. ‘F1: o filme’ Damson Idris e Brad Pitt em 'F1: o filme' Divulgação Um dos mais ambiciosos longas do ano, com cenas gravas durante a temporada regular de Fórmula 1, com apoio de pilotos como Lewis Hamilton, “F1: o filme” lidera a lista de indicados mais caros do ano. O longa dirigido por Joseph Kosinski e estrelado por Brad Pitt, Damson Idris e Javier Bardem, custou cerca de US$ 200 milhões, segundos dados do site Deadline. Produção da Apple Studios, “F1” arrecadou US$ 631 milhões nas bilheterias mundiais. ‘Uma batalha após a outra’ 'uma batalha após a outra' leonardo dicaprio Divulgação/Warner Bros Apontado como favorito na corrida pelo Oscar 2026 após conquistar quase todos os prêmios da temporada até aqui, incluindo o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, o longa de Paul Thomas Anderson foi o segundo mais caro do ano, com orçamento estimado de US$ 130 milhões. Estrelado por Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Chase Infiniti, Benicio del Toro e Teyana Taylor, o filme arracadou US$ 206 milhões nos cinemas mundiais. ‘Frankenstein’ Frankenstein Divulgação/Netflix O cineasta mexicano Guillermo del Toro não poupou despesas em sua reimaginação do clássico gótico de Mary Shelley. Com Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth e Christoph Waltz à frente do elenco, o novo “Frankenstein” contou com orçamento de nada menos de US$ 120 milhões. O longa é uma produção original da Netflix que arrecadou pouco menos de US$ 500 mil em seu limitadíssimo lançamento nos cinemas antes da estreia no streaming. ‘Pecadores’ Michael B. Jordan em 'Pecadores' (2025) Reprodução Filme com maior número de indicações ao Oscar da história, concorrendo em 16 categorias, “Pecadores”, de Ryan Coogler, custou cerca de US$ 90 milhões e arrecadou US$ 368 milhões nas bilheterias mundiais. Produzido pela Warner Bros, o longa conta com as presenças de Michael B. Jordan, Kailee Steinfeld, Wonmi Mosaku, Miles Caton e Delroy Lindo no elenco principal e vai tentar desbancar o favoritismo de “Uma batalha após a outra” na premiação. ‘Marty Supreme’ Timothée Chalamet em cena de "Marty supreme" Divulgação / A24 O filme sobre pingue-pongue estrelado por Timothée Chalamet e Gwyneth Paltrow, sob o comando de Josh Safdie, se tornou a mais cara produção do cultuado estúdio A24 ao apresentar um custo total de US$ 70 milhões. Nas bilheterias, o longa indicado a nove estatuetas do Oscar já arrecadou aproximadamente US$ 108 milhões. ‘Bugonia’ Emma Stone em "Bugonia" Divulgação Mais nova parceria entre o diretor Yorgos Lanthimos e a atriz e produtora Emma Stone, “Bugonia” foi uma das surpresas na lista de indicados a melhor filme. A obra custou US$ 55 milhões e faturou apenas US$ 41 milhões nos cinemas mundiais. ‘Hamnet: A vida antes de Hamlet’ Jessie Buckley em "Hamnet: A vida antes da Hamlet" Divulgação/Agata Grzybowska Orçado em US$ 30 milhões, o drama dirigido por Chloé Zhao é um dos mais emocionantes da atual temporada de premiações. Vencedor do Globo de Ouro na categoria melhor filme drama, “Hamnet” narra o trauma vivido por William Shakespeare (Paul Mescal) e sua esposa (Jessie Buckley) ao perderem um filho. A experiência acaba servindo de inspiração para a criação da peça “Hamlet”, obra-prima da dramaturgia mundial. ‘Sonhos de trem’ Joel Edgerton em 'Sonhos de trem' Divulgação/Netflix Uma das apostas do Brasil no Oscar, com Adolpho Veloso indicado na categoria de melhor fotografia, “Sonhos de trem” custou apenas US$ 10 milhões. Dirigido por Clint Bentley e estrelado por Joel Edgerton, Felicity Jones e William H. Macy, o longa é uma produção original da Netflix. ‘Valor sentimental’ Stellan Skarsgård em 'Valor sentimental' Divulgação Grande rival de “O agente secreto” na disputa de melhor filme internacional, “Valor sentimental” é o segundo mais barato indicado ao Oscar de melhor filme, com orçamento de apenas US$ 7,8 milhões. O drama norueguês dirigido por Joachim Trier e estrelado por Renate Reinsve, Stellan Skarsgard, Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning já arrecadou US$ 16,5 milhões nos cinemas mundiais. ‘O agente secreto’ Wagner Moura em cena de "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho Divulgação / Victor Jucá Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o drama brasileiro custou somente US$ 5,3 milhões e foi o mais barato entre todos os rivais na categoria principal. No Brasil, o longa já arrecadou US$ 7,2 milhões (R$ 38 milhões) e levou 1,7 milhão de pessoas às salas.
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Obesidade e hipertensão são fatores que podem agravar riscos de demência, diz estudo
Uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism identificou que pessoas com IMC mais alto têm maior probabilidade de desenvolver demência vascular, um tipo de declínio cognitivo ligado a problemas nos pequenos vasos sanguíneos do cérebro. Especialistas explicam que fatores cardiovasculares comuns ao excesso de peso, como hipertensão, também danificam a circulação cerebral, contribuindo para o comprometimento cognitivo progressivo observado nessas doenças. Doença na Índia: Aeroportos da Ásia retomam protocolos de saúde da Covid após surto de Nipah A obsessão pelos suplementos de magnésio: quais são os alimentos mais ricos no mineral? Além disso, outra linha de investigação apresentada em encontros científicos aponta que a obesidade acelera o aumento de biomarcadores no sangue associados ao Alzheimer, a forma mais comum de demência. Estudos longitudinais com adultos demonstraram que níveis de proteínas ligadas à neurodegeneração e ao acúmulo de placas amiloides, características da doença de Alzheimer, crescem de forma mais rápida em indivíduos com obesidade comparados aos não obesos ao longo de anos de acompanhamento. Especialistas em saúde cerebral ressaltam que o excesso de peso corporal atua como um fator modificável de risco, ou seja, mudanças no estilo de vida e no controle de peso, pressão arterial e outros fatores metabólicos podem reduzir a probabilidade de desenvolvimento de demência em longo prazo. As formas mais comuns de demência são a doença de Alzheimer, a demência vascular e a demência mista. No estudo divulgado nesta semana, os pesquisadores analisaram dados de participantes em Copenhague e no Reino Unido e identificaram uma ligação causal entre o excesso de peso corporal e a demência. Uma pergunta que ainda não foi respondida é se medicamentos voltados para a perda de peso, como as canetas emagrecedoras, por exemplo, podem ajudar a prevenir degenerações cerebrais.
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Tem dificuldade para ver um vídeo inteiro e sente urgência de checar o celular? Você pode sofrer do 'cérebro de pipoca'; entenda
Abrimos o TikTok “só por um minuto” e, sem perceber, já se passou uma hora. Trabalhamos enquanto ouvimos um podcast e respondemos mensagens. Hoje, estamos imersos em um mundo em que o scroll é infinito e a multitarefa digital está moldando nossa forma de pensar e agir. Cada notificação é uma faísca, cada vídeo um lampejo, e cada aplicativo disputa a nossa atenção. Em meio a essa chuva de estímulos rápidos, a lentidão incomoda, o silêncio pesa e a mente se impacienta quando não recebe novas doses de conteúdo a cada segundo. Cinco infectados: Surto de vírus letal Nipah deixa Índia em alerta; conheça os riscos do microrganismo Tailândia, Nepal e Taiwan: Aeroportos da Ásia retomam protocolos de saúde da Covid após surto de Nipah Sem dúvida, a desconexão é um grande desafio. Não porque não saibamos como fazê-la — todos já tentamos desligar o celular, silenciar notificações ou nos afastar um pouco das redes sociais —, mas porque o cérebro se acostumou tanto a uma estimulação digital constante e acelerada que a atenção se fragmenta e começa a saltar de um estímulo para outro sem descanso, como se fosse milho estourando numa panela. Por isso, hoje em dia, esse estado mental é descrito pelo termo “cérebro de pipoca” (“popcorn brain”). Segundo explicou Stefano de la Torre, diretor do curso de psicologia da Universidad Científica del Sur, no Peru, a ideia surgiu no início da década de 2010, quando se começou a observar que o uso excessivo da internet, das redes sociais e das notificações rápidas estava gerando padrões persistentes de distração, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. — Não é um diagnóstico clínico, mas uma metáfora que captura perfeitamente como um cérebro saturado de microimpactos perde a capacidade de sustentar a atenção de forma profunda — afirmou o especialista. Por que o cérebro moderno busca estímulos rápidos? O cérebro humano sempre foi programado para buscar novidade, recompensas rápidas e sinais potencialmente importantes no ambiente. No entanto, essa programação biológica hoje se depara com um ecossistema digital que funciona de forma oposta à atenção sustentada: cada notificação, cada vídeo curto e cada atualização é um microestímulo desenhado para capturar nosso sistema de recompensa. As plataformas digitais compreenderam muito bem esse mecanismo e o replicam a cada segundo. — O “ping” do celular, o scroll infinito ou aquele vídeo que começa sem você pedir ativam um circuito muito sensível: o da dopamina, o neurotransmissor que nos mantém motivados, focados e prontos para repetir aquilo que nos trouxe gratificação — explicou a psicóloga Susan Albers, da Cleveland Clinic. O problema, porém, não é a dopamina em si, afinal, precisamos dela para viver, mas o aprendizado que se instala quando recorremos constantemente a estímulos intensos para encobrir o mínimo desconforto: tédio, silêncio, espera ou ansiedade. Pouco a pouco, o cérebro passa a interpretar essa superestimulação como a nova normalidade. Assim, quando surge algo mais lento — uma conversa sem distrações, uma tarefa que exige concentração ou um livro — tudo parece sem graça e insuficiente. É aí que aparece uma espécie de “salto automático” entre estímulos: a mente, acostumada a recompensas constantes, busca a próxima faísca antes mesmo de a atual terminar. Quando esse padrão se torna habitual, surgem irritabilidade ao desconectar, dificuldade para tolerar o silêncio, necessidade compulsiva de checar redes sociais e a tendência a adiar responsabilidades para voltar ao estímulo rápido que promete alívio. O que acontece no cérebro com essa exposição? De acordo com o psicólogo, o que se observa é uma hiperativação constante do sistema dopaminérgico. Cada estímulo digital produz um pequeno pico de dopamina que reforça o comportamento de buscar sempre novidade. Basicamente, o cérebro passa a antecipar essas micro-recompensas, de modo que o simples fato de esperar por um novo vídeo ou atualização já gera ativação. Essa estimulação constante, no entanto, tem um custo: desgasta o córtex pré-frontal, responsável por regular o controle da atenção. Em termos funcionais, faz com que as redes neurais dedicadas à atenção profunda e sustentada trabalhem cada vez menos, enfraquecendo por falta de uso. — É como se a atenção se quebrasse em pedaços ou se fragmentasse por fadiga. As interrupções constantes, mesmo quando parecem pequenas, vão corroendo a capacidade do cérebro de manter o foco por períodos prolongados — ressaltou o especialista. Nesse processo, várias funções executivas são as primeiras a se deteriorar. Como explicou a psicoterapeuta Liliana Tuñoque, da Clínica Internacional, o controle inibitório (habilidade de resistir a um distrator ou não reagir automaticamente a um estímulo) é o mais rapidamente afetado. Depois, compromete-se a memória de trabalho, que nos permite reter informações de curto prazo enquanto pensamos, seguida da capacidade de planejamento e da flexibilidade cognitiva. Quando essas capacidades se enfraquecem, a mente passa a operar de forma mais superficial: torna-se difícil manter o fio até de tarefas simples, sustentar análises profundas, os pensamentos ficam mais fragmentados e surge uma sensação de esgotamento que não é física, mas mentalmente dispersiva. Como o “cérebro de pipoca” impacta a vida diária? O “cérebro de pipoca” se manifesta de maneiras muito concretas, segundo De la Torre. Por exemplo, quando pegamos o celular sem motivo aparente, quando não conseguimos assistir a um vídeo inteiro sem pular para outro, quando sentimos ansiedade na ausência de estímulos imediatos ou quando temos dificuldade para concluir tarefas simples porque a atenção se dispersa facilmente. Também aparece na dificuldade de tolerar silêncios ou momentos de espera, na sensação de inquietação permanente e na incapacidade de realizar atividades prolongadas sem buscar interrupções externas. A ansiedade diante da calma não surge por acaso, mas porque o sistema nervoso se adapta a viver em um nível elevado de estimulação. Quando o ambiente fica silencioso ou lento, o cérebro interpreta esse “vazio” como desconforto. O que deveria ser descanso é sentido como inquietação. Além disso, nesses espaços sem telas, emergem pensamentos e emoções que antes ficavam soterrados pela distração; como não estamos habituados a enfrentá-los, eles geram ainda mais desconforto, explicou Tuñoque. Essa inquietação constante também impacta de forma significativa o desempenho acadêmico e profissional. Segundo Susan Albers, cada notificação, alerta ou aba aberta funciona como um “puxão” que arrasta a atenção para fora do que se está fazendo. Esse vai e vem fragmenta o trabalho, aumenta a procrastinação e faz com que qualquer tarefa leve mais tempo do que o necessário. Atividades que exigem profundidade, como ler, escrever e planejar, tornam-se especialmente desafiadoras, pois demandam exatamente o oposto do que as telas treinam: manter a atenção sem gratificação imediata. Com o tempo, essa dinâmica se associa a pior concentração, mais ansiedade, alterações no sono e humor mais baixo, fatores que deterioram ainda mais o desempenho. O fenômeno também molda nossas relações. Como observou o especialista da Universidad Científica del Sur, o “cérebro de pipoca” afeta principalmente a capacidade de estar presente. Mesmo fisicamente diante de alguém, mentalmente podemos estar atentos ao que acontece no celular. Assim, a escuta se torna superficial e as conversas perdem profundidade, reduzindo a conexão emocional e gerando relações mais frágeis, menos empáticas e mais funcionais do que afetivas. É possível reverter o efeito “cérebro de pipoca”? De acordo com Albers, as evidências disponíveis indicam que os padrões do tipo “cérebro de pipoca” são, em grande medida, modificáveis. Na mesma linha, o psicólogo acrescenta que, graças à neuroplasticidade, o cérebro pode se adaptar e recuperar boa parte da capacidade de atenção profunda quando se criam as condições adequadas. — Não se trata de “curar” completamente, mas de aprender a manejar. Com semanas de práticas deliberadas, a maioria das pessoas pode experimentar melhorias claras na capacidade de foco. Ainda assim, como alertou a especialista da Cleveland Clinic, em alguns casos, sobretudo quando há um transtorno de base ou um padrão muito arraigado de comportamento aditivo, pode não haver uma reversão completa, mas sim um manejo muito mais saudável. O princípio-chave, segundo ambos os especialistas, é avançar passo a passo, evitar mudanças extremas e difíceis de sustentar e buscar ajuda profissional quando a relação com a tecnologia se torna claramente compulsiva ou interfere no trabalho, nos estudos ou nos vínculos. Como recalibrar o cérebro? Embora o cérebro se acostume ao ritmo acelerado, ele também pode ser recalibrado para ritmos mais lentos. Para a psicóloga, uma das estratégias centrais é o “detox digital”: decidir quais condutas serão mudadas (por exemplo, checar redes antes de dormir ou consumir notícias de forma compulsiva), definir objetivos concretos de tempo e duração da mudança e manter o plano por pelo menos duas semanas para começar a romper hábitos automáticos. Nesse processo, podem ser usadas ferramentas da terapia cognitivo-comportamental, como observar quando surge a urgência de se conectar, identificar gatilhos emocionais e substituir momentos de tela por atividades alternativas igualmente prazerosas, como caminhar, ler, cozinhar, ouvir música tranquila ou ligar para alguém. Como ressaltou Albers, não se trata de eliminar toda a tecnologia, mas de devolvê-la ao seu lugar e treinar o cérebro para tolerar melhor o silêncio e a concentração prolongada. Entre as práticas com mais evidências estão aquelas que combinam limites claros com técnicas de atenção plena e organização do tempo. “Localizar” o uso do celular em momentos específicos do dia, usar alarmes ou aplicativos de limite de tempo e deixar o telefone longe quando é preciso concentração são estratégias simples, mas poderosas. Métodos como Pomodoro, temporizadores visuais ou a simplificação do espaço de trabalho também ajudam a manter a mente focada sem saltar entre estímulos. Quando surge a urgência de desbloquear o celular, parar para respirar fundo, alongar-se ou dar uma breve caminhada ajuda a reduzir a ativação fisiológica e retomar a tarefa com mais calma. Por sua vez, Stefano de la Torre destaca que o cérebro pode recuperar a atenção profunda quando se treinam os circuitos que a sustentam. As intervenções com maior respaldo incluem o mindfulness, que fortalece o controle inibitório, a leitura prolongada sem interrupções e, especialmente, o exercício físico regular, uma das práticas com mais evidência para melhorar o funcionamento do córtex pré-frontal. — Um elemento-chave nesse processo é voltar a se familiarizar com o tédio. É importante não vê-lo como inimigo, mas como um espaço fértil para que a mente gere ideias, organize informações e processe emoções. Em crianças e adolescentes, o brincar lento também promove tolerância à frustração, pensamento simbólico e autorregulação; já nos adultos, atividades de fluxo prolongado, como ler, escrever, cozinhar, tocar um instrumento e exercitar-se, treinam a capacidade de sustentar a atenção sem interrupções — enfatizou. Recomendações para uma higiene digital Falar em higiene digital não significa viver desconectado, mas construir uma relação mais saudável e consciente com a tecnologia. Os especialistas destacam que as mudanças mais eficazes não são as radicais, e sim aquelas que se ajustam à vida real. De la Torre sugere começar por limites flexíveis, porém consistentes. Em vez de proibições rígidas, vale apostar em pequenas decisões sustentáveis ao longo do tempo: evitar telas ao acordar ou antes de dormir, desativar notificações desnecessárias, definir espaços sem dispositivos, como a mesa ou o quarto, e criar blocos curtos de trabalho profundo. Na mesma linha, Liliana Tuñoque afirma que os limites devem ser guiados pela intenção. Entre hábitos viáveis, ela cita estabelecer horários claros de uso, evitar a multitarefa digital e organizar o dia de modo que atividades essenciais, como exercício físico ou tempo em família, aconteçam antes de se conectar. — Por exemplo, é útil definir um máximo de duas horas de lazer digital nos fins de semana ou decidir conscientemente quando e para quê usar as telas, em vez de se deixar levar pela inércia. A partir dessas ideias, uma higiene digital básica pode ser construída com passos simples: modo “não perturbe” como padrão, pausas visuais ao longo do dia, consumo digital consciente e uma atividade analógica diária que obrigue a desacelerar. O objetivo não é limitar por limitar, mas recuperar presença, descanso e atenção em um ambiente saturado de estímulos, para melhorar a saúde mental, a qualidade das conexões e a produtividade.
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Desequilíbrio no setor elétrico forçou o corte de 20% da produção de eólicas e solares em 2025, aponta levantamento
Em 2025, o sistema elétrico brasileiro descartou cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada, segundo cálculos da consultoria Volt Robotics com base em números do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Estes cortes de geração levaram um prejuízo de R$ 6,5 bilhões aos empreendimentos no ano. Segundo a consultoria, os cortes de geração explodiram em 2025, com agosto, setembro eoutubro como os meses com os maiores cortes já registrados na história. Houve alívio em novembro e dezembro com uma diminuição no volume dos cortes por causa de fatores como a transição da chamada “safra dos ventos”, além de ajustes operacionais pontuais. A Volt ainda afirma que em 16 dias do ano, o sistema elétrico brasileiro operou “perigosamente” próximo do limite inferior de segurança por causa do excesso de geração de energia renovável. Em todo o ano de 2024, esse cenário aconteceu apenas uma vez, para se ter noção do desequilíbrio do setor. Considera-se um dia crítico quando os cortes ultrapassam 80% da geração de referência (energia que as usinas poderiam gerar com os recursos de sol e de vento disponíveis). A tendência era de que o problema, que vinha crescendo até outubro, se agravasse ainda mais no fim de dezembro e início de janeiro, com a chegada do calor e início das férias. No entanto, segundo a Volt, algumas medidas impediram que um cenário crítico dos cortes de geração se materializasse ao final de 2025. No Natal do ano passado, por exemplo, o despacho térmico (acionamento de usinas térmicas) foi de 6,7 GW médios, reduzindo-se para 6,3 GW médios em 1º de janeiro de 2026. Os valores são muito inferiores aos observados em 26 de outubro de 2025 (um dos 16 dias críticos), quando o despacho térmico atingiu 11 GW médios — patamar que contribuiu para que aquele dia fosse um dos momentos de maior tensão para a segurança do sistema elétrico brasileiro, segundo o relatório. Como mostrou o GLOBO, a virada do ano se tornou um ponto de atenção para o setor elétrico. Com a onda de calor que marcou o primeiro mês do verão, o consumo de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou, impulsionado pelo maior uso de ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e refrigeradores. O pico se dá em horários que agravam o descasamento entre a demanda e a oferta de energia, que tem marcado o setor elétrico com o avanço da geração por fontes renováveis, como eólica e solar, nos últimos anos. Para manter o equilíbrio do sistema, o ONS interrompe preferencialmente parques eólicos e solares, o que impõe perdas financeiras a grandes empreendimentos. Isso porque eles têm de cumprir contratos de fornecimento com a compra de energia no mercado livre para substituir a que não puderam gerar. Representantes desses geradores querem compensações financeiras do governo, que resiste. Segundo o relatório da Volt Robotics, o domingo de manhã tem se tornado o novo horário crítico para o setor elétrico. Neste momento, com comércio fechado, indústrias desaceleradas, o consumo de energia elétrica despenca. Por outro lado, a produção de energia solar e, muitas vezes, o vento, estão fortes. “Domingo virou o 'teste de estresse' semanal do sistema elétrico brasileiro. Em vários dos 16 dias críticos, o padrão se repetiu: carga baixa, renováveis altas, sistema no limite”, aponta o levantamento.
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Com ajuda do clima, produção de azeite no Brasil deve ser recorde neste ano
Entre produtores de azeite do Brasil impera um otimismo não visto há anos. Após duas quebras consecutivas devido ao excesso de chuvas, o setor espera uma safra recorde este ano, propiciada por clima adequado e pelo amadurecimento das árvores, que se tornam mais produtivas. Agro mais forte e além da soja: Brasil abre fronteira na 2ª safra com ‘culturas emergentes’ Negociação comercial: Lula e Trump 'saudaram o bom relacionamento' e brasileiro acerta visita aos EUA em ligação — Acredito que esta será a melhor safra de azeitonas que o Brasil já teve, tanto no Rio Grande do Sul quanto na Mantiqueira — afirma Bob Costa, que junto com a esposa, Bia Pereira, administra duas fazendas de onde sai o premiado azeite Sabiá, em Santo Antônio do Pinhal (SP), e em Encruzilhada do Sul (RS). — No Rio Grande do Sul, todas as árvores de todas as variedades estão muito carregadas. Nunca tinha visto isso. Em 2023 e 2024 houve chuvas excessivas no estado, que prejudicaram a polinização das flores e a quantidade de frutos. Isso não se repetiu na última primavera. O Rio Grande do Sul também registrou a maior média de horas de frio dos últimos 20 anos, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho. Por isso, a entidade vê grande probabilidade de safra recorde em 2026, acima das cerca de 6 mil toneladas produzidas em 2023, e em torno de 640 mil litros de azeite. Seria mais do que o dobro dos 240 mil litros do ano passado. Após nova ameaça tarifária de Trump: China afirma que acordo com Canadá 'não tem terceiros como alvo' Só 1% da demanda nacional Em Viamão (RS), na Estância das Oliveiras, dona da marca homônima que é a terceira mais premiada no mundo, a expectativa é mais que dobrar a produção, para 15 mil litros de azeite extravirgem, em comparação aos 7 mil litros de 2025 e apenas 2,1 mil litros no ano anterior, conta o sócio-diretor Rafael Sittoni Goelzer. Os proprietários do azeite Sabiá também esperam incrementos expressivos. Na propriedade gaúcha, a expectativa é colher 350 toneladas de azeitonas, mais que o dobro do ano passado, e produzir 35 mil litros de azeite, contra 15 mil litros de 2025. Na paulista, a previsão é chegar a cerca de sete toneladas de fruto e em torno de mil litros de azeite. As chuvas das últimas semanas na Mantiqueira devem adiar a colheita, mas não comprometer a produção, diz Costa. Ainda sem projeção de produção para 2026, o presidente do Ibraoliva conta que o setor “sonha” atingir 1 milhão de litros de azeite, mas seria precipitado projetar tal volume para este ano: — A expectativa é superar os 640 mil litros. Em que proporção, saberemos no início de maio (fim da colheita). Initial plugin text A produção brasileira, focada em azeites extravirgem premium, atende apenas 1% da demanda nacional. Os 99% restantes vêm de grandes produtores europeus como Espanha, Portugal e Itália. Por lá, a recuperação da produção em 2024 — após dois anos de perdas, que provocaram valorização de 50% — trouxe os preços do produto para baixo no ano passado, condição que deve se manter em 2026, segundo Obino Filho. O acordo Mercosul-UE não altera as condições de mercado, explica, pois em março de 2025 o governo brasileiro zerou tarifas de importação, para conter a inflação. A médio prazo, o cenário para o azeite brasileiro se mostra promissor, já que as árvores devem se tornar mais produtivas. Enquanto uma oliveira de cinco anos produz cerca de cinco quilos de azeitonas por ano, uma de 15 anos rende de 30 a 35 quilos, diz Goelzer. Tanto a Estância das Oliveiras como a Sabiá planejam chegar a 50 mil litros de azeite nos próximos anos.
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Mesma dieta há 25 anos e lanches de David Beckham: qual o segredo de Victoria para manter abdômen 'chapado'
Victoria e David Beckham podem até estar passando por turbulências na vida familiar — considerando à briga entre o casal e o filho, Brooklyn, e a nora, Nicola Peltz, que vem mexendo com as redes sociais nos últimos dias —, mas eles seguem muito preocupados com a própria forma física. Fato é que a estilista e ex-Spice Girls segue uma rotina bem regrada para manter o shape: ela, por exemplo, tem a mesma dieta há cerca de 25 anos. Lembra deles no BBB? Veja o antes e depois de todos os 423 participantes que já passaram pelo reality show Ex-lavador de carros e o 'mô' de Yasmin Brunet: quem é o milionário que está em Noronha com a modelo Para começar, o abdômen “chapado” de Victoria, que costuma impressionar todos quando ela o exibe em fotos na academia, é fruto também de treinos que realiza ao lado de David. É uma rotina intensa focada em condicionamento físico, cinco dias por semana e com duração entre 35 e 90 minutos. Victoria e David Beckham Reprodução/Instagram Além dos treinos, Victoria é super focada na alimentação bem regrada. Durante uma entrevista, em 2009, ela própria contou que mantinha uma rotina alimentar voltada para as frutas vermelhas e sashimi. Desde o início dos anos 2000, aliás, circulava rumores de que a alimentação da estilista era extremamente restrita, baseada em morangos e água — o que obviamente não foi confirmado. David Beckham já comentou publicamente que a esposa praticamente se resume a peixe grelhado acompanhado de legumes preparados no vapor. Segundo ele, em outra ocasião, Victoria tem uma mesma dieta há cerca de 25 anos. “Eu fico emotivo com comida e vinho. Quando como algo muito bom, quero que todos provem”, começou. “Infelizmente, sou casado com alguém que come a mesma coisa há 25 anos (…) Desde que a conheci, ela só come peixe grelhado e vegetais no vapor. Muito raramente sai disso.” Initial plugin text A própria também já revelou que seu maior conforto à mesa é algo simples: uma torrada integral com sal. Para completar, o dia costuma começar com duas colheres de sopa de vinagre de maçã. A estilista afirmou que começa o dia com “algumas colheres de sopa de vinagre de maçã em jejum”. Em seguida, o seu marido a ajuda a preparar um lanche reforçado: um suco verde preparando com brócolis, espinafre, pepino, aipo, maçã, gengibre, limão e laranja lima. Galerias Relacionadas A alimentação regrada de Victoria já chamou a atenção até de Rio Ferdinand, ex-zagueiro inglês que conviveu de perto com o casal na época em que jogava com David na seleção. Em uma entrevista, ele disse: “Nunca vi ela comer nada. Honestamente, não lembro de nada que tenha ficado marcado”. Initial plugin text
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January 27, 2026 at 7:20 AM
Cão Orelha: o que se sabe sobre a investigação do assassinato do cachorro que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina
A morte do cão Orelha, espancado na Praia Brava, em Florianópolis, provocou comoção e abriu uma investigação que ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. A Polícia Civil de Santa Catarina apura não apenas os atos infracionais cometidos por adolescentes, mas também a participação de adultos em suposta coação de testemunhas e uma tentativa de homicídio contra outro cachorro da região. Relata delegado-geral de SC: Adolescentes suspeitos de matar o cachorro Orelha teriam tentado afogar outro cão Dívidas com banco: Justiça determina apreensão de passaporte do fundador da Polishop Orelha era um cachorro comunitário que vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Considerado um mascote do bairro, era alimentado diariamente por moradores e comerciantes e circulava livremente pela região. Ele dividia o espaço com outros cães comunitários, que contavam com casinhas e cuidados espontâneos da população local. O que aconteceu O caso veio à tona no dia 16 de janeiro, quando moradores relataram o desaparecimento do cachorro. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam de Orelha o encontrou caído em uma área de mata, gravemente ferido e agonizando. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, os profissionais optaram pela eutanásia. A suspeita é de que Orelha tenha sido espancado a pauladas. A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos de praticar os maus-tratos que levaram à morte do cão. Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, segundo a corporação. Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. O inquérito tramita sob sigilo por envolver menores de idade. Tentativa de afogamento A investigação avançou e passou a apurar se o mesmo grupo tentou matar outro cão da região no mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil, um vira-lata caramelo teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar. O animal sobreviveu e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que afirmou acompanhará pessoalmente o andamento do caso. Segundo o delegado, há indícios de que os quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra Orelha e de que três adultos tenham atuado para interferir na investigação. Ele afirmou que, caso seja comprovada a participação de adultos na coação de testemunhas, a Polícia Civil pedirá a prisão preventiva dos envolvidos. “A Justiça será feita independentemente de quem sejam os autores dessa ação criminosa. Se houver prova de participação de um adulto na coação, a prisão preventiva será solicitada imediatamente”, disse o delegado. O governador Jorginho Mello (PL) determinou prioridade para o caso. A apuração é conduzida pela Delegacia de Proteção Animal, com apoio do Departamento de Investigação Criminal (DIC). O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o inquérito. A magistrada inicialmente responsável pelo caso se declarou impedida, e um novo juiz passou a analisar os pedidos judiciais relacionados à investigação. Protestos A morte de Orelha gerou protestos de moradores e ativistas na Praia Brava, que pedem punição aos responsáveis. Manifestações foram realizadas no local onde o cão vivia. O caso também chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Mário Motta (PSD) defendeu a criação de uma estátua em homenagem ao animal e lançou um abaixo-assinado para viabilizar o projeto, como forma de preservar a memória de Orelha e reforçar o combate à violência contra animais. A Polícia Civil segue colhendo depoimentos, analisando imagens de câmeras de segurança e aguardando o resultado das perícias nos dispositivos apreendidos. A corporação pede que testemunhas procurem a delegacia para colaborar com a investigação.
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January 27, 2026 at 6:49 AM
Dia do bolo de chocolate: aprenda a fazer a receita perfeita em casa
O bolo de chocolate é um amor universal. Não tem quem prefira ficar fora de uma garfada em um bolo quentinho, macio e com aquela massa molhadinha. O melhor é que não é difícil acertar na receita de um em casa! A chef Dianna Macedo, da Dianna Bakery, compartilhou com o Rio Show sua receita impecável. Vale tentar: Joia arquitetônica, Edifício Touring reabre na Praça Mauá como novo complexo gastronômico Natal fora de época: saiba onde encontrar boas rabanadas o ano todo no Rio de Janeiro Se preferir não sujar louça em casa, tem como provar esse bolo delicioso direto da fonte. Além dele, veja uma lista de opções deliciosas para matar a vontade — e até opção low carb, para não fugir da dieta. Dianna Bakery A confeitaria artesanal na Tijuca tem o charmoso birthday cake trufado (R$ 25, fatia; R$ 286, inteiro), com massa de chocolate, cinco camadas de trufa e crocante de brownie. Rua Dona Delfina 14, Tijuca. Ter a sex, das 9h às 19h. Sáb, das 9h às 16h. MP Tortas A casa de receitas artesanais traz uma variedade de bolos com chocolate no cardápio. O clássico bolo cacau (R$ 30), de massa fofinha sem recheio, é servido com calda quente de chocolate. O sucesso da casa é a torta de cacau belga com recheio de brigadeiro e cobertura de chocolate branco (R$ 30). Outra variação é o bolo de cacau belga com recheio e cobertura de brigadeiro ao leite (R$ 30). Av. das Américas 15.000, Recreio. Seg a sáb, das 12h às 19h30. Torta de cacau e chocolate branco da MP Tortas Divulgação Que Doce! A pedida da data é o bolo chocolatudo: massa molhadinha de chocolate, camadas de recheio de brigadeiro ao leite e uma cobertura de ganache meio amargo, com três camadas de massa e duas de recheio (R$ 31, fatia). Para compartilhar, o bolo também é vendido inteiro nos tamanhos 15 cm (R$ 180) e 20 cm (R$ 255). Rua Odilio Bacelar 30, Urca. Seg a sex, das 9h30 às 19h. Sáb e dom, das 9h às 18h30. Bolo de chocolate da Que Doce! Divulgação Sin Patisserie A doceria oferece seu clássico: bolo de cacau com recheio de brigadeiro ao leite (R$ 24, fatia). Massa intensa e úmida, com recheio cremoso. Shopping Leblon. Seg a sáb, das 10h às 22h. Dom, das 12h às 20h. Mais dois endereços. Bolo de chocolate da Sin Patisserie Divulgação Kitchin Para quem quiser comemorar sem sair da dieta, o restaurante japonês aposta em um bolo de chocolate low carb (R$ 58). A fatia vem acompanhada de crumble de coco e bola de sorvete de creme zero açúcar. Shopping Leblon. Diariamente, das 12h às 23h. Bolo low carb do Kitchin Divulgação
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January 27, 2026 at 6:49 AM
Lula inicia ano eleitoral com agenda intensa de contatos internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o ano eleitoral mantendo contato direto, em curtos intervalos, com os principais líderes mundiais. As conversas — quase todas por telefone, à exceção da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com quem teve um encontro presencial no Rio de Janeiro — ocorrem em meio à deterioração do cenário internacional e ao aumento das tensões geopolíticas, como a situação na Faixa de Gaza, a guerra entre Rússia e Ucrânia e o impacto da ofensiva dos Estados Unidos sobre a Venezuela na América Latina. Nesta segunda-feira, Lula conversou por cerca de 50 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo abordou a relação bilateral e a agenda global. Ao comentar o convite feito ao Brasil para integrar o Conselho da Paz proposto por Washington, Lula não deu resposta imediata, mas defendeu que o órgão tenha mandato restrito à situação em Gaza e inclua um assento para a Palestina.  Os dois presidentes também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela, trataram de cooperação econômica e do combate ao crime organizado transnacional e acertaram a realização de uma visita de Lula a Washington após sua viagem à Índia e à Coreia do Sul, prevista para fevereiro. Lula falou com o presidente da China, Xi Jinping. Conversaram sobre o fortalecimento da cooperação bilateral e a defesa do multilateralismo em um contexto de rivalidade crescente entre grandes potências. Trataram ainda da necessidade de coordenação entre países do Sul Global. Em conversa telefônica com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Lula abordou a parceria estratégica entre os dois países, a agenda econômica e a coordenação em fóruns multilaterais, no contexto da preparação da visita oficial do presidente brasileiro à Índia. No eixo europeu, Lula manteve contato com Ursula von der Leyen, em encontro presencial voltado à relação entre a União Europeia e o Mercosul, à agenda econômica e à defesa do multilateralismo. O presidente brasileiro também conversou com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez. A agenda internacional de janeiro incluiu ainda diálogo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A conversa abordou a situação na Venezuela, questões internacionais mais amplas e a cooperação bilateral. Lula também conversou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A guerra em Gaza, a situação humanitária no território e a defesa da solução de dois Estados estiveram no centro do diálogo. Ainda no início do mês, o presidente manteve conversa telefônica com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, centrada na situação venezuelana e na importância de preservar a estabilidade regional e buscar soluções políticas para a crise no país vizinho. O mandatário brasileiro falou ainda com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, em diálogo relacionado à situação política e institucional do país e aos impactos regionais da crise venezuelana. Com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, a conversa foi voltada ao fortalecimento da relação bilateral e à coordenação política na América Latina. Já o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, tratou com Lula da situação na Venezuela e do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, que ocorrerá nesta terça e quarta-feira em seu país. No evento do Panamá, Lula estará frente a frente com Mulino, Petro, além de Daniel Noboa (Equador), Bernardo Arévalo (Guatemala), Luis Arce (Bolívia) e o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.
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January 27, 2026 at 6:49 AM
'2026 é o novo 2016': trend reflete nostalgia de uma vida mais leve e cansaço com performance nas redes
Mal entramos em 2026 e já tem gente querendo mudar de ano. Desde o início de janeiro, as redes foram tomadas por registros de uma década atrás, numa trend que tem revivido fotos antigas, músicas da época e legendas saudosistas sobre aquele que tem sido chamado de “o último ano bom”. Menos estímulo, mais prazer: cafés especiais impulsionam nova cultura e estilo de vida no consumo da bebida 'Leitura performática': entenda como ostentar livros virou mania entre celebridades, tiktokers e até personagens de 'Vale Tudo' Com o bordão “2026 é o novo 2016”, anônimos e famosos (de Regina Casé a Dua Lipa) relembram um tempo em que a calça skinny reinava sem ironia, o álbum “Lemonade” tocava nos MP3 players e o ambiente digital ainda estimulava a espontaneidade, com menos performance, cancelamento e profissionalização do conteúdo. Os posts são acompanhados com fotos de “antes e depois”, comparando a estética de uma década atrás com o presente. Initial plugin text Ondas nostálgicas vêm e voltam, mas o apego específico a 2016 chama a atenção de estudiosos. Diretor da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas, Marco Ruediger nota que o ano representou uma ruptura com as utopias digitais. — Ainda se acreditava que as redes poderiam integrar comunidades, informar melhor as pessoas e até criar consensos — afirma o doutor em Sociologia. — A partir dali, essa promessa começa claramente a se desfazer. Não apenas pelos eventos políticos daquele ano, mas pela instalação de uma guerra cultural dentro das próprias plataformas. Ainda havia uma sensação de conforto, mas já se percebia que dali em diante nada seria como antes. Temores como a IA Para Ruediger, o Brexit e a primeira eleição de Donald Trump naquele ano acabaram com o sentimento de normalidade no mundo. — A obsessão atual por 2016 dialoga diretamente com o medo do futuro, o medo da insegurança, do desemprego, da inteligência artificial — diz o pesquisador. — Há um clima de insegurança geral porque as pessoas acham que não podem acreditar em mais nada. Em 2016, o Dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como a palavra do ano; em 2017, o dicionário da editora britânica Collins destacou “fake news”. Foi também naquele período que formatos mais agressivos de consumo de conteúdo começaram a se consolidar. Vídeos curtos e temporários, popularizados pelo Snapchat, forçaram outras plataformas a criar funções semelhantes, iniciando uma lógica de atenção fragmentada que hoje domina a internet. Dez anos depois, o que se vê é um cansaço mental e cognitivo, provocado pelo consumo excessivo e superficial de conteúdo on-line. Surgiu até expressão para isso: brain rot (apodrecimento cerebral). Não por acaso, foi escolhida “palavra do ano” do Dicionário Oxford em 2024. Initial plugin text “Você apenas tinha que estar lá”, escreveu a modelo Hailey Bieber, de 29 anos, ao publicar no seu perfil de Instagram as suas fotos de 2016. Na época, a jovem ainda não havia se casado com o astro teen Justin Bieber, autor de “Sorry”, um dos grandes hits daquele ano. Porém, para outras pessoas que, como ela, estavam lá em 2016, talvez o ano não tenha sido tão bom assim — como aliás apontaram diversos internautas que problematizaram a trend. — Dois mil e dezesseis foi, sem dúvida, um ano caótico, que já anunciava muitas das crises atuais — avalia Nicolas Henriques, diretor estratégico da Box1824, responsável pela construção de projetos de branding e arquitetura de marca. Eu vi, eu estava Os chamados zennials, nascidos a partir de 1997, eram muito jovens para compreender os conflitos da época, acredita Henriques. — Quem era criança e pré-adolescente em 2016 achava tudo mais simples — diz ele. — Não parecia haver um ambiente de tensão permanente e as pessoas não precisavam se posicionar sobre tudo. Essa volta nostálgica expressa o desejo de um tempo em que era possível viver com mais leveza, mesmo que isso seja, em parte, uma idealização. Cofundadora da Chango Digital, agência criativa e produtora focada em conteúdo para a geração Z, Amanda Caliari ressalta: toda geração tende a olhar com carinho para o período em que estava se formando. Ela observa, porém, que a referência a 2016 não é exatamente a saudade do ano em si, mas de um modo de vida que se perdeu junto com a inocência das redes. — As pessoas sentem falta de um ritmo diferente, de um momento em que era possível viver uma fase com menos consciência de estar sendo observado, comparado e medido o tempo todo — explica ela. — Havia menos cálculo, menos pressão para transformar tudo em algo útil, produtivo ou rentável. Hoje a gente gerencia tudo: tempo, imagem, escolhas, carreira, opinião, redes sociais. Parece que nada pode simplesmente existir sem passar por algum tipo de filtro, explicação ou validação. Essa hiper-profissionalização das redes, ressalta Caliari, não afeta apenas criadores de conteúdo ou influenciadores. — Isso atinge qualquer pessoa que hoje utiliza plataformas digitais. Para mim, essa nostalgia fala muito mais sobre o agora do que sobre o passado. Ela aparece quando a forma atual de viver começa a ficar pesada demais. Fora do 'play' No campo da saúde mental, o psicólogo Lucas Franco Freire interpreta o fenômeno como um sintoma coletivo de exaustão. Autor do livro “Exaustos: imaginando saídas para o cansaço diário”, ele afirma que a sociedade contemporânea sofre de uma “atrofia do lúdico”. — A gente ainda tem uma compreensão muito precária sobre qual é a função do lúdico, aquilo que eu estudo como play — diz. — O lúdico envolve artes, brincadeiras, rituais culturais e outras formas de expressão que não estão orientadas diretamente pela performance ou pelo resultado. Segundo Freire, a lógica atual de disponibilidade constante e produtividade contínua tem reduzido drasticamente os espaços de experimentação e descanso. — Vivemos sob uma cultura de performance permanente, que esvazia a possibilidade de brincar, criar e experimentar sem objetivo produtivo. Quando o lúdico desaparece, as pessoas perdem a capacidade de descompressão emocional — afirma. Famosos no Snapchat em 2016 Reprodução Snapchat Bombou em 2016 Hits. O ano teve sucessos globais como “One dance” (Drake), “Sorry” (Justin Bieber) e “Cheap Thrills” (Sia), além do lançamento de “Lemonade”, de Beyoncé (escolhido “álbum do século” pela revista Rolling Stone em 2025). Por aqui, MC Bin Laden (que depois foi parar no BBB) fez o Brasil sentir que “Tá tranquilo, tá favorável”. Filtros. Com o Snapchat, os vídeos curtos se tornaram a forma de expressão preferida dos mais jovens. A plataforma também difundiu o uso de filtros faciais. Se hoje eles são marcados por hiper-realismo e correção estética, os filtros da época priorizavam a diversão. ‘Stranger Things’. Em sua primeira temporada, a série, que chegou ao fim em 2025, apresentou a estética dos anos 1980 às novas gerações, ressuscitando a música synthpop e toda uma iconografia baseada em referências analógicas. Pokemon Go. Lançado em 2016, o jogo de realidade aumentada transformou a rua em arena, fazendo muita gente acreditar que a tecnologia poderia se tornar aliada do espaço público. Chokers. As gargantilhas justas se popularizaram em materiais como couro, veludo e plástico. Ironicamente, ressurgiram como releitura dos anos 1990. Como se vê, até a nostalgia é cíclica.
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January 27, 2026 at 6:49 AM
Em crise, SP recorre a reservatório que abastece o Rio e acende alerta sobre 'cobertor curto' na seca
O abastecimento da Grande São Paulo pelo Sistema Cantareira atravessa o início de 2026 sustentado pela transferência de água entre bacias, compensando um déficit na captação local. Se dependesse apenas das chuvas em sua bacia natural, o sistema receberia cerca de 17 mil litros de água por segundo, volume inferior à saída de 23 mil litros necessária para o abastecimento público. Esse descompasso diário é coberto pela transposição das águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul, manancial que é a espinha dorsal do abastecimento do Estado do Rio de Janeiro. Alerta: Dezembro tem o pior nível dos reservatórios da Grande SP desde a crise hídrica de 2015 Especialistas: Controlar vazamentos e reflorestar mananciais poderia mitigar futuras crises hídricas A operação ilustra um possível cenário de "cobertor curto" no Sudeste. Para evitar o colapso em São Paulo, o sistema exige uma retirada de água da cabeceira do rio federal justamente no momento em que a bacia doadora também enfrenta seu pior verão em anos. Dados dos boletins da Agência Nacional de Águas (ANA) de 20 de janeiro demonstram a desproporção: a entrada natural de água no reservatório Jaguari (na bacia do Paraíba do Sul) foi de apenas 16 m³/s — cerca de 35% da média histórica. Deste montante, 8,43 m³/s foram desviados para o Cantareira. Na prática, mais da metade da água que entra na cabeceira do sistema é transferida para o planalto paulista. O cenário não indica colapso iminente, mas impõe um desafio de gestão em um contexto climatológico atípico. Ao contrário da crise de 2014, o verão de 2026 é marcado por bloqueios atmosféricos que impedem a chegada de chuvas volumosas às cabeceiras dos rios, embora pancadas ocorram nas áreas urbanas. — O pico da estação chuvosa deveria ser dezembro, janeiro e fevereiro, e janeiro já está terminando e não tem chovido o esperado. Quando eu digo esperado, não é volume esperado, mas lugar esperado, porque essas chuvas caem muito bem aqui nas áreas urbanas de São Paulo e outras cidades, mas o que cai no Cantareira mesmo, no reservatório, é pouco — explica José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Mapa da rede de represas do Sistema Cantareira em São Paulo Criação/O GLOBO Para o climatologista, o sistema ainda sente o "arrasto" de uma redução de volume que vem desde a crise de uma década atrás, exigindo cautela contínua. A opinião é compartilhada pelo coordenador de operações do Cemaden, o meteorologista Marcelo Seluchi, que afirmou em entrevista ao GLOBO na última segunda-feira que a chuva prevista para os próximos dias não será suficiente para alterar a situação crítica de escassez em que se encontram o Cantareira (SP) e o Paraíba do Sul (SP/RJ). O problema, portanto, não está em um evento extremo isolado, mas na dificuldade crescente de recompor estoques em um sistema que passou a operar permanentemente no limite, cada vez mais dependente de fontes externas. A gestão desse recurso compartilhado acende luzes de alerta diferentes dependendo de onde se olha o rio. Nas cabeceiras, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CBH-PS) monitora com rigor a queda dos níveis dos reservatórios, essenciais para garantir a regularidade do rio ao longo do ano. Renato Traballi Veneziani, presidente do comitê, aponta que, embora o volume transposto para São Paulo seja pequeno se comparado à vazão total do rio na foz, o momento exige parcimônia. — O reservatório está baixo desde 1998. Em 2014, quando ajudamos, nós não estávamos com os níveis baixos como os de hoje. É um sinal de alerta, pois caso o governo de São Paulo decrete uma crise hídrica, temos uma linha de corte em 24% dos nossos reservatórios. Se chegarmos nesse ponto, a situação vai ser pior e demandará uma revisão com a ANA para priorizar o abastecimento humano. Isso pode exigir sacrifícios de outros setores econômicos se a estiagem persistir — pondera Veneziani. Sobre a dependência estrutural do Cantareira em relação à bacia vizinha, o Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP) ressalta, em nota, que a obra não deve ser vista como solução única. — A transposição foi homologada após a crise de 2014–2015 e deve ser compreendida como parte de uma estratégia integrada de gestão, não se configurando como solução permanente nem substitutiva aos investimentos estruturais necessários. A segurança hídrica de longo prazo depende da diversificação de fontes — informou o CEIVAP. Os reservatórios no rio Paraíba Editoria de Arte Mesmo com os níveis baixos dos reservatórios do Paraíba do Sul, a avaliação técnica afasta, por ora, risco de desabastecimento no Rio de Janeiro. Na Região Metropolitana, cerca de 11 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente do rio, por meio dos sistemas Guandu e Ribeirão das Lajes. Dados da ANA indicam que a vazão natural em Santa Cecília, ponto de tomada d'água para o sistema Guandu, está em 151 m³/s. Para o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RJ), esse número oferece uma margem de segurança confortável para o Rio em relação à demanda real de tratamento. — A vazão que é aduzida hoje, ela não é fator de desequilíbrio para o Guandu. Agora, se for necessário aumentar, a ANA deverá proceder com os estudos necessários para a manutenção do equilíbrio hidrológico. Em um cenário de emergência, os três estados envolvidos vão precisar participar e discutir as providências, mas isso é no futuro — defende o presidente da ABES-RJ. O papel da regulação A divergência de percepções — preocupação com o estoque nos reservatórios versus tranquilidade com a vazão na foz — reforça o papel central da Agência Nacional de Águas (ANA) na mediação do uso dos recursos. O cenário atual não aponta para conflitos interestaduais, como ocorreu no passado, mas segundo a agência informou em nota, a operação é monitorada permanentemente para conciliar "o atendimento aos usos múltiplos da água e a segurança hídrica dos dois estados". “Medidas temporárias e preventivas podem ser discutidas tecnicamente quando há indicação de período úmido desfavorável, com base em monitoramento hidrológico, projeções e avaliação de risco. Nesses casos, o objetivo é reduzir impactos para os dois sistemas e preservar condições mínimas de segurança, considerando o papel do Paraíba do Sul no abastecimento do Estado do Rio de Janeiro”, diz a nota da ANA. Reservatório da Cantareira, em Nazaré Paulista (SP), em 2023 Edilson Datas/ O Globo Apesar da semelhança numérica com os níveis críticos de 2014, a Sabesp argumenta que a infraestrutura hoje oferece mais segurança. Samanta Souza, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, explica que a integração entre represas mudou o cenário: — Se nós não tivéssemos feito a transposição do Jaguari-Atibainha e a inclusão de um novo sistema, que é o Sistema São Lourenço, nós não teríamos saído da reserva técnica. Hoje, depois de muito investimento em integração, nós chegamos a quase 14 m³/s de transferência de água entre sistemas, o que possibilita trazer água do Alto Tietê ou do Guarapiranga e preservar o Cantareira — detalha a diretora. Enquanto a chuva não vem, a Sabesp aposta em medidas operacionais para evitar um racionamento mais drástico, priorizando a redução de pressão na rede durante a madrugada. — O que é economizado só com a gestão da demanda noturna corresponde aproximadamente ao abastecimento da cidade de São Paulo inteira durante um mês. Vamos evitar ao máximo chegar no nível de rodízio porque traz muito impacto para a população — conclui Samanta Souza.
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January 27, 2026 at 6:49 AM
Flávio Bolsonaro enfrenta impasse na busca por marqueteiro, tem dificuldade de montar palanques e tenta reduzir rejeição
Sem o apoio explícito de nomes relevantes da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta na largada da pré-campanha dificuldades para diminuir sua rejeição, reduzir resistências fora do núcleo bolsonarista, além de conviver com a sombra do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tratado por setores do campo conservador como alternativa mais competitiva ao Palácio do Planalto. Por isso, interlocutores veem como essencial ampliar o leque de apoios e construir uma imagem que extravase o bolsonarismo raiz, o que impulsionou a busca por marqueteiro. Vídeo: Editor de política do GLOBO fala sobre climão entre Paes e Lula que deixou a esquerda em alerta Fachin defende regras de conduta para o STF: 'Ou nos limitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo' O senador tem conversado com diferentes profissionais do mercado em busca de alguém capaz de organizar a estratégia, dar consistência à comunicação e oferecer um roteiro para 2026. Nas conversas, a demanda central é por um nome que consiga “colar” a imagem do senador na figura do pai, mas ao mesmo tempo dar um tom mais moderado e individual. A avaliação é que a campanha precisará sair do tom reativo e de pautas identitárias para construir atributos presidenciais — agenda econômica, discurso institucional e capacidade de diálogo. Há também pressão para profissionalizar a produção de conteúdo e integrar melhor redes, imprensa e agenda territorial, pontos vistos como falhas recorrentes nas campanhas anteriores do campo bolsonarista. Desafio Um dos desafios para tornar o nome competitivo é reduzir a rejeição. A pesquisa Genial/Quaest mais recente sobre o cenário eleitoral de 2026 mostra queda na rejeição ao nome de Flávio, que passou de 60% para 55%, mas o patamar ainda é alto e superior ao de Tarcísio, com 43%. Em meio à pré-campanha, o publicitário Daniel Braga, próximo ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi alçado a coordenador, começou a auxiliar Flávio em conteúdos para as redes sociais. A avaliação, contudo, é que ele não deve ser o estrategista. Outro nome lembrado foi o de Duda Lima, marqueteiro do PL. A hipótese, no entanto, é vista como improvável diante do desgaste após a campanha de Ricardo Nunes em 2024. Além disso, interlocutores do partido reconhecem que a estrutura digital de Flávio está longe do alcance que Jair Bolsonaro construiu ao longo dos anos, embora o senador tenha ampliado seguidores desde que passou a ser tratado como presidenciável. Sem postar nas redes desde julho, Jair Bolsonaro mantém 27 milhões de seguidores em seu perfil no Instagram. Flávio, por sua vez, tem 8,3 milhões, cerca de 30% do pai. Isso reforça a avaliação interna de que apenas a força orgânica do bolsonarismo não será suficiente para sustentar uma campanha nacional. Fora da publicidade, há o desafio de avançar eleitoralmente em áreas onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é forte, caso do Nordeste. No centro dessas articulações aparece novamente Rogério Marinho. Nordestino, ele é próximo da família Bolsonaro e, por isso, tido como capaz de costurar apoios na região. Marinho afirma que o partido trabalha com a meta é ampliar vantagem onde Bolsonaro venceu e reduzir a diferença no Nordeste, onde há maior preocupação em Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão e Bahia. — Cada região vai ter uma estratégia. Nas outras quatro regiões onde o Bolsonaro venceu, a ideia é ampliar essa distância — disse. Em 2022, Lula venceu em todos os nove estados do Nordeste, sendo a única grande região em que superou Jair Bolsonaro no segundo turno, com cerca de 69,3% dos votos válidos na região ante 30,6% de Bolsonaro, participação que foi crucial para sua vitória nacional. Nacionalmente, Lula obteve 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro, uma diferença apertada de cerca de 1,8 ponto percentual na soma dos votos de todo o país. No Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, Bolsonaro venceu, o que ajudou a estreitar o resultado, mas não foi suficiente para derrotar o impacto eleitoral do Nordeste. Para isso, palanques fortes nos país são essenciais. Segundo Marinho, contudo, ainda há tensões em cerca de dez estados, incluindo Minas, Rio e Goiás. Fator Michelle Além disso, um pano de fundo envolve a movimentação de Michelle Bolsonaro: segundo aliados, ela atua para reabilitar Tarcísio para a disputa presidencial, a partir da eventual ida de Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar. Dirigentes do PL afirmam que, primeiro, Flávio precisa angariar o apoio da madrasta, que ainda teria preferência por uma candidatura do governador, que por sua vez se diz candidato à reeleição. Aliados reconhecem que Flávio ainda precisa convencer o próprio campo de que tem capacidade de liderar a transição após a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador tem dito que é candidato à reeleição, mas recuou da visita que faria ao ex-presidente na semana passada, depois de Flávio afirmar que o pai diria a ele que as eleições nacionais estavam fora de cogitação. Tarcísio é tratado como alternativa mais viável por setores do empresariado e do Centrão.
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January 27, 2026 at 6:49 AM