Kanye West pede desculpas por comentários antissemitas e diz tratar transtorno bipolar: 'Perdi o contato com a realidade'
Kanye West, agora conhecido como Ye, comprou uma página inteira do jornal Wall Street Journal nesta segunda-feira para publicar um pedido formal de desculpas pelos comentários antissemitas proferidos nos últimos meses. O artista escreveu que tem transtorno bipolar e está em tratamento psiquiátrico depois de, no ano passado, ter sofrido “um episódio maníaco de quatro meses, com comportamento psicótico, paranoico e impulsivo, que destruiu a minha vida”.
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“À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar aqui.”
Em 2025, o músico fez diversos discurso de ódio direcionado aos judeus, com dclarações pró-Hitler, chegando a adotar uma suástica. Segundo ele, no texto do jornal, isso foi resultado de perda do "contato com a realidade.
“Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações naquele estado e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e uma mudança significativa. Isso não justifica o que fiz, porém. Não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu.”
Os problemas psiquiátricos são atribuídos, ele escreve, a um acidente de carro que ele sofreu há cerca de 25 anos, pouco antes de ficar famoso. West afirma que sofreu uma lesão no lobo frontal que não foi diagnosticada adequadamente até 2023. Essa, portanto, seria a causa de seu transtorno bipolar, um diagnóstico que ele aceitou num primeiro momento, depois rejeitou e só agora abraçou completamente.
“Ter transtorno bipolar é um estado notável de doença mental constante. Quando você entra em um episódio maníaco, você está doente naquele momento. Quando não está em um episódio, você está completamente ‘normal’. E é aí que os destroços da doença atingem com mais força. Ao chegar ao fundo do poço há alguns meses, minha esposa me incentivou a finalmente buscar ajuda.”
O texto não menciona nenhum novo trabalho, mas a expectativa, segundo a Variety, é que de na próxima sexta-feira saia o novo álbum, “Bully”.
Abaixo, o texto completo.
Aos que eu machuquei:
Há vinte e cinco anos, sofri um acidente de carro que quebrou meu maxilar e causou uma lesão no lobo frontal direito do meu cérebro. Na época, o foco esteve nos danos visíveis — a fratura, o inchaço e o trauma físico imediato. A lesão mais profunda, aquela dentro do meu crânio, passou despercebida.
Exames completos não foram feitos, as avaliações neurológicas foram limitadas, e a possibilidade de uma lesão no lobo frontal nunca foi levantada. Ela só foi devidamente diagnosticada em 2023. Essa falha médica causou sérios danos à minha saúde mental e levou ao meu diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1.
O transtorno bipolar vem com seu próprio sistema de defesa: a negação. Quando você está em mania, não acha que está doente. Acha que todo mundo está exagerando. Você sente como se estivesse vendo o mundo com mais clareza do que nunca, quando na realidade está perdendo completamente o controle.
Quando as pessoas passam a rotulá-lo como “louco”, você sente como se não pudesse contribuir com nada de significativo para o mundo. Para muitos, é fácil fazer piada e rir disso, quando na verdade se trata de uma doença muito séria e debilitante, da qual se pode morrer. Segundo a Organização Mundial da Saúde e a Universidade de Cambridge, pessoas com transtorno bipolar têm uma expectativa de vida reduzida, em média, de dez a quinze anos, e uma taxa de mortalidade por todas as causas de duas a três vezes maior do que a da população em geral. Isso é comparável a doenças cardíacas graves, diabetes tipo 1, HIV e câncer — todas potencialmente letais e fatais se não forem tratadas.
A coisa mais assustadora desse transtorno é o quão persuasivo ele é quando lhe diz: você não precisa de ajuda. Ele te deixa cego, mas convencido de que tem discernimento. Você se sente poderoso, seguro, imparável.
Eu perdi o contato com a realidade. As coisas pioraram quanto mais eu ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo foram as que tratei pior. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o cansaço de tentar lidar com alguém que, em certos momentos, era irreconhecível. Olhando para trás, eu me afastei do meu verdadeiro eu.
Nesse estado fraturado, eu me agarrei ao símbolo mais destrutivo que consegui encontrar, a suástica, e cheguei até a vender camisetas com ela. Um dos aspectos difíceis de ter transtorno bipolar tipo 1 são os momentos desconectados — muitos dos quais ainda não consigo recordar — que levaram a julgamentos ruins e comportamentos imprudentes, que muitas vezes parecem uma experiência fora do corpo. Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações naquele estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e uma mudança significativa. Isso não justifica o que fiz, porém. Não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu.
À comunidade negra — que me sustentou em todos os altos e baixos e nos momentos mais sombrios. A comunidade negra é, sem dúvida alguma, a base de quem eu sou. Sinto muito por ter decepcionado vocês. Eu amo a nós.
No início de 2025, entrei em um episódio maníaco de quatro meses, com comportamento psicótico, paranoico e impulsivo, que destruiu a minha vida. À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar aqui.
Ter transtorno bipolar é um estado notável de doença mental constante. Quando você entra em um episódio maníaco, você está doente naquele momento. Quando não está em um episódio, você está completamente “normal”. E é aí que os destroços da doença atingem com mais força. Ao chegar ao fundo do poço há alguns meses, minha esposa me incentivou a finalmente buscar ajuda.
Encontrei conforto, de todos os lugares possíveis, em fóruns do Reddit. Pessoas diferentes falam sobre estar em episódios maníacos ou depressivos de natureza semelhante. Li as histórias delas e percebi que não estava sozinho. Não sou só eu que arruína a própria vida inteira uma vez por ano, apesar de tomar remédios todos os dias e de ser informado pelos chamados melhores médicos do mundo de que não sou bipolar, mas apenas alguém que apresenta “sintomas de autismo”.
Minhas palavras, como líder na minha comunidade, têm impacto e influência globais. Na minha mania, perdi completamente a noção disso.
À medida que encontro meu novo ponto de equilíbrio e um novo centro por meio de um regime eficaz de medicação, terapia, exercícios e uma vida saudável, passei a ter uma clareza nova e muito necessária. Estou direcionando minha energia para uma arte positiva e significativa: música, roupas, design e outras ideias novas para ajudar o mundo.
Não estou pedindo simpatia nem um salvo-conduto, embora aspire conquistar o seu perdão. Escrevo hoje simplesmente para pedir sua paciência e compreensão enquanto encontro o caminho de volta para casa.
Com amor,
Ye