Pais de enfermeiro morto pelo ICE contestam versão do governo: 'Mentiras repugnantes'
Os pais do enfermeiro Alex Pretti, morto após ser baleado por agentes de imigração americanos, negaram que o filho estivesse com uma arma no momento em que foi atingido, versão divulgada por autoridades federais. Em nota divulgada à imprensa americana, eles classificaram a versão como "mentiras repugnantes".
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"As mentiras repugnantes contadas sobre o nosso filho pela administração são repreensíveis e repugnantes. Alex claramente não está segurando uma arma quando é atacado pelos assassinos e covardes bandidos do ICE de Trump", dizem Michael e Susan Pretti.
"Ele está com o telefone na mão direita e a mão esquerda vazia está levantada acima da cabeça enquanto tenta proteger a mulher que o ICE acabou de empurrar enquanto recebia spray de pimenta", diz ainda nota.
Segundo os pais do enfermeiro, Alex "era uma alma de bom coração que se importava profundamente com sua família e amigos e também com os veteranos americanos de quem cuidou como enfermeiro da UTI no hospital de Minneapolis".
"Alex queria fazer a diferença neste mundo. Infelizmente ele não estará conosco para ver seu impacto", continua a nota.
Entenda o caso
A morte do enfermeiro Alex Jeffrey Pretti inflamou ainda mais os protestos nas ruas de Minneapolis, onde milhares de manifestantes têm saído às ruas contra a agenda anti-imigração do governo republicano. Em uma entrevista coletiva, o governador de Minnesota, Tim Walz, que concorreu como vice na chapa da democrata Kamala Harris nas eleições presidenciais de 2024, classificou de “repugnante” um vídeo que assistiu do caso.
— Graças a Deus temos o vídeo! — disse, referindo-se à declaração de Gregory Bovino, o responsável pelas operações da Patrulha da Fronteira do presidente Trump, de que Pretti “queria causar o máximo de danos”. — É um absurdo, gente, é um absurdo e são mentiras.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o incidente aconteceu em meio a uma “operação direcionada” para procurar um imigrante em situação irregular acusado de agressão.
Funcionários do DHS disseram que um homem então se aproximou de agentes da Patrulha de Fronteira com uma pistola semiautomática 9 mm para tentar “massacrá-los”. Os agentes teriam tentado desarmá-lo, mas ele teria resistido “violentamente”, levando a “uma luta armada”. O indivíduo foi declarado morto no local.
Mas vídeos analisados pelo jornal americano The New York Times contradizem os relatos. As gravações mostram o homem segurando um celular, e não uma arma, quando os agentes o forçam ao chão antes de dispararem ao menos dez vezes em cinco segundos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse que os investigadores acreditam que ao menos dois agentes dispararam.
Autoridades federais postaram nas redes sociais a foto de uma arma que, dizem, estava com o homem, identificado como Alex Jeffrey Pretti, um enfermeiro de UTI de 37 anos. Segundo O’Hara, Pretti não tinha ficha criminal e possuía uma licença de uso de armas — Minnesota permite o porte em locais públicos.
Walz também afirmou que falou com a chefe de Gabinete da Casa Branca, Susan Wiles, para avisar que as autoridades do estado devem liderar a investigação, declarando que “não se pode confiar no governo federal”.
— Não vamos deixar que nos obstruam — afirmou Walz, acusando o governo Trump de “inventar histórias e divulgar imagens”.
Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, declarou que o governo Trump quer aterrorizar a cidade.
— Quantos mais moradores, quantos mais americanos, precisam morrer ou ficar gravemente feridos para que essa operação termine? — indagou, acrescentando que “uma grande cidade americana está sendo invadida pelo próprio governo federal”.
Em um post nas redes sociais, Trump culpou os políticos locais e policiais pelo caso, acusando Walz e Frey de “incitamento à insurreição”. Ele também acusou autoridades do estado de encobrirem uma fraude governamental. No último dia 20, o governador, o prefeito e mais quatro autoridades de Minnesota foram intimados pela Justiça americana em uma investigação sobre uma suposta obstrução da aplicação da lei federal durante os protestos contra a presença de agentes de imigração no estado.