Venda de ingressos para shows de Harry Styles no Brasil gera abertura de investigação; entenda
A venda de ingressos para os shows de Harry Styles no Brasil, marcados para os dias 17 e 18 de julho no Estádio Morumbis, em São Paulo, motivaram a abertura de uma investigação junto à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e à Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), além do Ministério Público e da Secretaria de Segurança. O caso ganhou projeção após fãs do cantor apontarem irregularidades na comercialização dos bilhetes, com imagens que mostram supostos cambistas adquirindo pilhas de entradas — a organização permite a venda de apenas seis por CPF, sendo duas meias-entradas.
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Na última segunda-feira (26), relatos de quem tentou adquirir ingressos durante a pré-venda mencionam a rapidez com que se esgotou o total de entradas. No X, a hashtag "#TicketMasterUmaFraude", com acusações direcionadas à empresa responsável pela comercialização dos bilhetes, ocupou o topo da lista dos assuntos mais comentados.
"Cara, os fãs do Harry que estavam em primeiro na fila presencial da bilheteria não conseguiram ingresso porque os cambistas pegaram tudo. Tá na hora de acabar com esse roubo", acusou um internauta, por meio do X. "Até quando fãs perderão ingressos para cambistas?", questionou mais uma pessoa. "Ingressos somem e voltam com preços abusivos. Cambismo e fraude não são demanda, são desrespeito", afirmou mais um usuário do microblog.
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Em nota à imprensa, a Ticketmaster negou a existência de irregularidades e frisou que a empresa está "totalmente disponível para cooperar com as autoridades e fornecer quaisquer informações necessárias".
"Na bilheteria física, a venda de ingressos é feita estritamente de acordo com as diretrizes definidas pelo organizador do evento, incluindo limites de compra por pessoa e por CPF. Os ingressos são vendidos para qualquer pessoa fisicamente presente na fila, por ordem de chegada e dentro dos limites estabelecidos. Para eventos de alta demanda, a disponibilidade em certas seções pode esgotar rapidamente, pois as compras são concluídas simultaneamente em vários balcões de atendimento", afirma a empresa.
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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Senacon e o Procon-SP, na última segunda-feira (26), e requeriu uma investigação junto aos órgãos. Já o deputado estadual Guilherme Cortez afirmou que acionou o Procon, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança.
Harry Styles
Divulgação
Em texto publicado nas redes sociais, Erika Hilton fez referência a casos de práticas comerciais ilegais da Ticketmaster nos Estados Unidos. "Com isso, a empresa conseguia criar uma escassez artificial, vender apenas uma parcela dos ingressos com o preço oficial e direcionar o resto aos cambistas, que inflavam os preços e repassavam uma comissão para a Ticketmaster", escreveu a parlamentar, alertando que a prática configura crime no Brasil.
"Como as primeiras pessoas das filas, tanto a geral quanto as pessoas com deficiência, não conseguiram comprar ingressos, mas os cambistas já tinham ingressos em mãos? Houve venda prévia aos cambistas? Para os cambistas, não havia limites de vendas de ingressos? Os cambistas faziam parte da campanha publicitária de venda do Banco Santander?", indagou Erika.
Cortez reforçou que é necessário investigar "atos ilícitos", "modo de operação criminosa" e "venda de ingressos através de plataformas não oficiais". "Há uma indústria lucrando às custas da extorsão dos sonhos de fãs, e que envolve cambistas, produtoras e ticketerias. Esse conluio age cobrando taxas abusivas, que ultrapassam o valor dos próprios ingressos, e desnecessárias (como, por exemplo, a taxa de envio por e-mail), além de facilitar a ação de cambistas, que revendem por valores ainda maiores", afirmou o parlamentar.
O que diz a Ticketmaster
A seguir, leia a nota completa da Ticketmaster sobre o assunto:
"A Ticketmaster não apoia o cambismo, nem vende ingressos antecipadamente para cambistas, nem tem parcerias com operadores de revenda que os privilegiem em relação aos fãs. Qualquer suposição contrária a isto está incorreta. De acordo com nossos Termos e Condições, ingressos oferecidos em plataformas de revenda ilegais ou não autorizadas podem ser cancelados e disponibilizados novamente para venda aos fãs.
Na bilheteria física, a venda de ingressos é feita estritamente de acordo com as diretrizes definidas pelo organizador do evento, incluindo limites de compra por pessoa e por CPF. Os ingressos são vendidos para qualquer pessoa fisicamente presente na fila, por ordem de chegada e dentro dos limites estabelecidos. Para eventos de alta demanda, a disponibilidade em certas seções pode esgotar rapidamente, pois as compras são concluídas simultaneamente em vários balcões de atendimento.
Trabalhamos continuamente para impedir que agentes mal-intencionados acessem tickets. O setor vive em meio a uma corrida de cambistas que usam bots cada vez mais sofisticados, e investimos centenas de milhões de dólares em tecnologia e equipes dedicadas focadas na prevenção do abuso. Esse trabalho complementa nossos controles operacionais tanto em ambientes de vendas online quanto presenciais.
Para este evento, assim como em todas as vendas da Ticketmaster, os preços dos ingressos e quaisquer taxas aplicáveis foram claramente publicados antecipadamente em nosso site. A Ticketmaster não cobra taxa para emitir ingressos, sejam comprados online ou na bilheteria física -- ou seja emitidos digitalmente ou em formato impresso. Qualquer taxa local aplicada à compra da bilheteria é cobrada pelo local, não pela Ticketmaster.
Levamos a sério as preocupações levantadas pelos fãs e permanecemos totalmente disponíveis para cooperar com as autoridades e fornecer quaisquer informações necessárias. Nosso foco é, e continuará sendo, apoiar artistas e ajudar fãs reais a acessarem ingressos da forma mais justa e transparente possível."