Nobel da Paz: Entrega de medalha de María Corina a Trump não significa passagem do prêmio, reitera comitê
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz do ano passado, entregou na quinta-feira a medalha que recebeu como prêmio ao presidente americano, Donald Trump, durante uma esvaziada reunião na Casa Branca. Horas depois, Trump usou as redes sociais para agradecê-la pelo reconhecimento — apesar do Comitê do Nobel ter reiteradamente dito que a entrega do objeto não significava a transmissão da láurea.
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"María me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que eu realizei", escreveu ele. "Um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María!".
A Casa Branca compartilhou nas redes sociais uma imagem de Trump segurando a moldura com a medalha Nobel. A inscrição diz que sua "ação decisiva e baseada em princípios para garantir uma Venezuela livre" foi reconhecida.
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O reconhecimento, porém, não é oficial. As organizações envolvidas na premiação anual afirmaram reiteradamente que a comenda não é transferível após o processo de escolha oficial.
"Uma vez anunciado, o Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para terceiros", escreveram os organizadores do Nobel em um comunicado à imprensa de 9 de janeiro. "A decisão é final e irrevogável".
Na manhã de quinta-feira, horas antes da entrega da medalha por María Corina, os organizadores do Nobel publicaram no Facebook: "Uma medalha pode mudar de dono, mas o título de laureado com o Prêmio Nobel da Paz não pode".
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Falando com repórteres após o encontro com Trump, María Corina disse que fez a entrega do prêmio "como um reconhecimento por seu compromisso singular" com a liberdade da Venezuela.
O gesto incomum ocorreu após meses de insistência do presidente americano de que ele merecia o prêmio. María Corina dedicou repetidamente o prêmio a Trump e elogiou a operação militar americana que depôs Nicolás Maduro.
Além de comemorar a intervenção americana em seu país, María Corina manteve-se em silêncio sobre a campanha de bombardeios contra barcos que, segundo Trump, traficam drogas. Os ataques americanos mataram mais de 100 pessoas.
Não está claro o que a opositora venezuelana ganhou com seu encontro com Trump. Depois de depor Maduro, ele se recusou a apoiá-la para assumir o poder, dizendo que "ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito" necessário para liderar o país.
Em discurso a apoiadores e jornalistas em Washington na quinta-feira, ela disse estar "impressionada" com a clareza de Trump sobre a situação de seu país e "com o quanto ele se importa".
Seus esforços para se aproximar de Trump foram recebidos com desprezo do outro lado do Atlântico, na Noruega, onde o prêmio é considerado não apenas prestigioso e carregado de simbolismo, mas também a principal ferramenta de soft power do país — e onde Trump é profundamente impopular. O Instituto Nobel, que concede o prêmio, está empenhado em minimizar os danos causados pela notícia. (Com NYT)