PM investiga suposto áudio em que capitão negocia a retirada de barricadas com chefe do CV em Belford Roxo
A Polícia Militar do Rio abriu um procedimento investigatório contra o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, conhecido como Tenente Alessander, lotado no 39º BPM (Belford Roxo), por ligações com o Comando Vermelho (CV). Uma suposta gravação do oficial com o chefe de favelas de Belford Roxo do CV, José Severino da Silva Júnior, conhecido como Soró ou Jetta, revela um provável acordo político entre ambos. O traficante afirma que retirou as barricadas das comunidades sob seu domínio, conhecidas como Castelar e Rola Bosta, e reclama que as operação policiais continuam por lá.
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De acordo com o diálogo, o capitão Alessander, no entanto, diz que ser ele quem "organiza tudo":
"Quem organiza isso tudo sou eu. Quem fica na prefeitura [de Belford Roxo], no Batalhão, sou eu".
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, ao tomar conhecimento da denúncia, o policial envolvido foi imediatamente afastado das funções e teve a conduta apurada pela Corregedoria Geral da corporação. A pasta afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas e que adota medidas rigorosas sempre que há comprovação dos fatos, com base nos princípios da legalidade, ética e disciplina.
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As suspeitas já haviam sido levadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao MPRJ por meio de uma denúncia anônima.
A medida surge depois de uma live do ex-governador Anthony Garotinho, na qual o político divulgou um áudio e uma chamada de vídeo que, segundo ele, mostram Alessander conversando com traficantes ligados ao Comando Vermelho. Em uma das gravações, o policial aparece em diálogo com Soró. Em outro momento, surge o traficante Doca, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
Policiais que atuam no setor de interceptação telefônica acreditam que a ligação foi gravada por Soró, que, possivelmente, tinha alguma desconfiança do policial e guardou como prova. No entanto, o áudio acabou vazando. O traficante pode ter deixado a gravação com terceiros para sua segurança também.
Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa do capitão Alessander ainda não havia se manifestado. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.
Em uma publicação nas redes sociais, o prefeito Márcio Canella afirmou que são falsas as acusações feitas por Anthony Garotinho. Segundo ele, é pública a guerra que sempre travou contra o traficante Doca desde o início de seus mandatos, o que, afirmou, é de conhecimento das forças de segurança do estado. Canella disse ainda que as declarações têm motivação eleitoral, reiterou que responde por seus atos e defendeu a punição de qualquer pessoa ligada ao tráfico. O político se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
Mais tarde, em vídeo divulgado nas redes, endureceu o tom:
— Não costumo dar palanque para maluco. Ainda mais para um imbecil do partido do ex-prefeito Waguinho, que ainda não aceitou a derrota nas urnas e tenta me atingir a todo custo. Desde o início do mandato, luto para manter a paz na minha cidade. Desde o início do mandato, luto para manter a paz na minha cidade. E já falei várias vezes: o problema da segurança pública no estado é o traficante Doca, um narcoterrorista que precisa ser excluído da sociedade o mais rápido possível — enfatizou.
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