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trechos das obras de hilda diariamente

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Irmão do meu momento: quando eu morrer uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo: morre o amor de um poeta. E isso é tanto, que o teu ouro não compra, e tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto, não cabe no meu canto.
November 30, 2025 at 4:16 PM
De montanhas e barcas nada sei. Mas sei a trajetória de uma altura e certa fundura de águas e há de me levar a ti uma das duas.
November 30, 2025 at 12:10 AM
Entre o teu ódio e o meu navegar fico comigo.
November 29, 2025 at 10:31 PM
Eu caminhava alegre entre os pastores e tatuada de infância repetia que é melhor em verdade ter amores e rima transitória para o verso.
November 29, 2025 at 8:06 PM
Que se desfaça o fascínio do poema. Que eu seja esquecimento e emudeça.
November 29, 2025 at 4:30 PM
Colou-se minha sombra às minhas costas: — Que bagagem, senhora. O Nada navegando à tua porta.
November 29, 2025 at 12:03 AM
(...) Abria discreta e elegante as pernas nas boates, embaixo da mesa, enquanto engolia com avidez aqueles vinhos caríssimos (...) muito dedilhado até que ela gozava escondendo o gozo e simulando um segredo e enchendo de bafo, gemidos e saliva a concha do meu ouvido.
November 28, 2025 at 10:04 PM
Não sei. De quase tudo não sei nada. O anjo que impulsiona o meu poema não sabe da minha vida descuidada.
November 28, 2025 at 8:01 PM
Tive ressurreição e anteprantos e alegrias inteiras. E muitas madrugadas a sós me confessei àquela irmã soturna e mais amada. Vi quase tudo. E quase tudo andei.
November 28, 2025 at 6:31 PM
(...) cheguei até a imaginar uma maneira digna de morrer. Seria assim: durante a noite, quando não há mais ninguém aqui no parque, eu me daria golpes sucessivos (...) Dizem que a perda de sangue não é dolorosa e que pouco a pouco vamos sentindo um agradável torpor.
November 28, 2025 at 4:02 PM
Fora como sempre até o topo daquela pequena colina. Gostava de estar lá pois ainda se viam uns verdes pardacentos, um lagarto apressado atravessando um atalho (...) Ali ficava apenas olhando. Esvaziado. Algumas vezes pensava no seu modesto destino.
November 28, 2025 at 12:08 AM
Leva-me a um lugar onde a paisagem se pareça àquela das visões da mente.
November 27, 2025 at 9:59 PM
Quis esconder os meus dedos nos teus cabelos de mágoa mas a tua mágoa era grande para fugir no meu gesto.
November 27, 2025 at 8:04 PM
Matias me diz que como a casa estava sempre tão vazia, e em havendo tantos livros e bebidas, qualquer um fica bêbado e letrado. pode ser.
November 27, 2025 at 6:03 PM
Aves de que não sei a sombra, vi-as na manhã quando o amor era chama mas num sopro perdi-as e é grande agonia o que era gozo.
November 27, 2025 at 4:00 PM
Demora-te sobre minha hora. Antes de me tomar, demora.
November 26, 2025 at 11:58 PM
Naquela tarde eu dizia uns poemas na biblioteca da cidade, em memória de um amigo poeta. Ela disse: é bonita a sua poesia. Eu fiquei comovida, eu me comovo com tudo.
November 26, 2025 at 10:13 PM
Tão poucos os que se detêm na raiz, o olhar alagado de vigorosa emoção, estou vivo e é por isso que o peito se desmancha contemplando, o coração é que contempla o mundo e absorve matéria do infinito, eu contemplando sou uma única e solitária visão (...)
November 26, 2025 at 8:11 PM
Ouve: só o pranto grita agora em meus ouvidos.
November 26, 2025 at 6:01 PM
Ardi diante do lá fora, bebi o ar, as cores, as nuances (...) e tendo visto, tendo sido quem fui, sou esta agora? Como foi possível ter sido Hillé, vasta, afundando os dedos na matéria do mundo, e tendo sido, perder essa que era, e ser hoje quem é?
November 26, 2025 at 4:04 PM
Abre a sua boca para todos os ventos.
November 25, 2025 at 11:57 PM
Absurdo, Rute, existires junto a mim, eu junto à empresa, a empresa no mundo, o mundo nesse todo, um espaço de buracos negros (...) e cada vez que me repenso e sempre que sofro sedução e emigro, disso sim eu gosto, de ser tomado, de ser seduzido como estou sendo agora pela vida.
November 25, 2025 at 10:01 PM
Quero ser santa, quero morrer por amor a Jesus, quero que me castiguem se eu fizer coisas erradas, quero conseguir a salvação da minha alma.
November 25, 2025 at 6:10 PM
“vai levar o peixe, dona?” E eu ali nos meus sábados, só passando, a peixaria finíssima, ladrilhos, balanças, um retângulo azul e amarelo recriando o corpo de um peixe (...) “tô só pensando, moço, como ele devia ter sido bonito lá no mar (...) a vida é crua, não moço?”
November 25, 2025 at 4:00 PM
Estou morta. Mas a morte é amor.
November 25, 2025 at 12:09 AM