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Vasco segue negociando com Marcos Lamacchia a venda da SAF
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Gazeta Press A SAF do Vasco da Gama vive um momento decisivo de transição. Desde que retomou o controle do futebol, em 2024, o clube associativo segue sem um investidor definitivo e inicia a temporada de 2026 em meio a restrições financeiras, disputas jurídicas e negociações em andamento para uma nova venda. Com a recuperação judicial homologada, a diretoria vascaína busca um novo aporte financeiro para garantir estabilidade econômica e manter a competitividade esportiva, ao mesmo tempo em que conduz as tratativas sobre o futuro da SAF, após o rompimento com a 777 Partners. Qual é a situação da SAF do Vasco hoje? Caminhando sem o aporte de um investidor há cerca de um ano e meio, o Vasco vai iniciar a temporada de 2026 ainda na expectativa de concluir a venda da SAF. O interessado mais avançado nas negociações não é um nome desconhecido do mercado financeiro, mas surge como um agente novo no roteiro recente de possíveis investidores do clube. Marcos Faria Lamacchia, empresário de 47 anos e filho de José Lamacchia, negocia diretamente com a diretoria comandada por Pedrinho, que hoje controla a SAF. Com boa relação entre o pai e a atual gestão vascaína, Marcos conta com o entusiasmo da família para avançar no processo de aquisição do futebol do clube. A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Lucas Pedrosa. Filho de Lamacchia com uma das herdeiras do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, fundador do banco Real, Marcos tem perfil discreto e poucas aparições públicas. Apesar da ligação familiar com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, ele possui trajetória profissional independente, sem atuação direta na gestão esportiva da mandatária alviverde. O empresário acompanha de perto todo o processo desde a ação movida pelo Vasco para retirar o controle da 777 Partners até a homologação da recuperação judicial, ocorrida recentemente. Fundador da Blue Star, gestora financeira criada em 2011, Marcos Lamacchia também foi diretor da Crefisa por anos e trabalhou no banco Alfa, outro empreendimento ligado à família. Procurados, o Vasco e a família Lamacchia não comentaram oficialmente o assunto. Marcos, inclusive, encontra-se em viagem fora do Brasil. Empresário Marcos Faria Lamacchia — Foto: Reprodução: Linkedin Necessidade de novo fôlego financeiro Com a necessidade de manter o fluxo de caixa, a diretoria avalia a possibilidade de recorrer a um novo empréstimo DIP no início de 2026, modalidade destinada a empresas em recuperação judicial. Novamente, a Crefisa surge internamente como uma das possíveis fontes do recurso. O Vasco captou cerca de R$ 80 milhões em empréstimo anteriormente, com previsão de esgotamento dos valores justamente neste início de ano, o que torna o avanço nas negociações da SAF ainda mais urgente. Divisão atual das ações da SAF * 30% pertencem ao clube associativo * 31% pertencem à 777 Partners (hoje controladas pela A-CAP) * 39% seguem em disputa arbitral Para a venda integral da SAF, será necessário um acordo ou decisão judicial favorável ao Vasco sobre a parcela em litígio. Como foi a 777 no Vasco? A 777 Partners não está mais no controle da SAF do Vasco. Em maio de 2024, uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro suspendeu os contratos de acionistas e investimentos firmados pela empresa norte-americana, devolvendo o comando do futebol ao clube associativo, sob gestão de Pedrinho. Segundo o vice-presidente jurídico Felipe Carregal, a volta da 777 ou da A-CAP é inviável tanto do ponto de vista jurídico quanto de governança. O foco atual do Vasco é a apuração de responsabilidades e a busca por indenizações pelos danos causados durante a parceria. Durante um ano e nove meses de gestão, entre agosto de 2022 e maio de 2024, a 777 efetuou 35 contratações que geraram despesas futuras relevantes. Um relatório interno apontou que apenas 18% dos valores devidos até maio de 2024 — referentes a transferências, luvas e comissões — haviam sido pagos. Dívidas herdadas da gestão da 777 * R$ 51,2 milhões em dívidas com outros clubes * R$ 5,4 milhões em luvas e bônus a jogadores * R$ 3,5 milhões pagos ao Nacional (Puma Rodríguez) para evitar transferban * Pendências com atletas fora dos planos, como Serginho * Luvas em atraso regularizadas, como no caso de Payet Desde então, a diretoria vascaína tem buscado renegociações, alongamento de prazos e acordos para reduzir o impacto financeiro herdado. 777 Partners, a SAF que comprou parte do Vasco  • Divulgação/Vasco Recuperação judicial e próximos passos A recuperação judicial do Vasco foi homologada em dezembro, com aprovação de 97,7% dos credores. A partir de 2026, o clube passará a pagar entre R$ 25 e R$ 30 milhões por ano em dívidas do passado, valores que impactam diretamente o orçamento operacional. Pedrinho afirma que o clube não fará movimentos irresponsáveis no mercado e que a escolha do novo investidor da SAF será criteriosa, priorizando solidez financeira, governança e compromisso institucional. “A juíza homologou dia 21 de dezembro, a partir de agora, janeiro, eu já começo a fazer os pagamentos estabelecidos pelo plano de recuperação judicial aprovado, que vai girar na previsão de R$ 25 a R$ 30 milhões por ano, esses valores são dívidas do passado, não tem nenhuma relação com a atual gestão, mas interfere diretamente na receita operacional e custeio operacional. Eu, como presidente, além de gerar uma receita para o custeio do ano, eu tenho que gerar mais R$ 25 ou R$ 30 milhões, para poder fazer frente com essas dívidas do passado. É o processo duro que a gente fala, que muita gente não quer passar, e é difícil de passar mesmo, a gente vê os outros clubes investindo, contratando, contratando mais, uns com responsabilidade porque já estão em um nível de estrutura financeira equilibrada, outros por irresponsabilidades. Mas no meu caso, eu não vou ser irresponsável com a instituição, é difícil? É, porque eu tomo pancada para caramba porque as pessoas querem jogadores muito valiosos, mas eu não vou fazer isso com a instituição. Enquanto eu estiver presidente, eu não vou causar nenhum dano financeiro ao clube, pelo contrário. Muito se falou da recuperação judicial, mas foi aprovada por 97,7% dos credores. Que absurdo de plano é esse, se 97% dos credores aprovaram? E muitos credores que chiaram, que deram show, foram credores que quando tinha outra gestão, fizeram parte, não receberam um real, não cobraram, e agora eu estou disposto a pagar a dívida, realmente receber um deságio é ruim, por isso eu agradeço também aos credores a compreensão, entenderam que desse lado é alguém que quer pagar as contas. Para o Vasco sobreviver, o remédio é amargo mesmo, então não adianta eu sair contratando, gerar mais dívidas, que vai virar uma bola de neve. Eu preciso estancar, a gente estancou com a recuperação judicial, que todo mundo já sabe, que para entrar, eu, como presidente, tenho que botar os meus bens, eu me dispus a isso para demonstrar a correção e honestidade do processo que está sendo feito é doído, mas quando a ferida estiver curada, é o Vasco que só vai ter receita, e quem estiver daqui a algum tempo, que seja responsável para que o clube não volte a ter problemas financeiros como já teve” “A gente precisa de mais um empréstimo, para ir equilibrando. Está tudo dentro do orçamento que foi planejado, e das receitas necessárias para a gente honrar os compromissos que a gente tem, com os atletas, com o clube, os pagamentos da recuperação judicial. Está tudo dentro do cronograma que a gente estabeleceu. Está dentro do planejamento que a gente fez que existiria à aprovação da recuperação judicial” Pedrinho, presidente do Vasco, na Neo Química Arena — Foto: AGIF O Vasco já tem um novo investidor? O presidente confirmou a existência de NDAs assinados e revelou que um dos interessados está em estágio muito mais avançado do que os demais. Apesar do otimismo interno, a diretoria adota cautela e só pretende anunciar qualquer acordo após aprovação dos conselhos e total transparência contratual. “Eu tenho NDA assinado e não posso falar quem são os investidores. O que posso falar é que, de todos os NDA’s assinados lá atrás, tem um NDA com um dos investidores que está em um processo mais adiantado, muito mais adiantado do que todos os outros. Eu espero que aconteça. Por experiência e vivência dessa cadeira que me traz tanta responsabilidade, a gente só vai falar quando tudo estiver ok. Espero que isso aconteça, a gente vai passar no Conselho Deliberativo, ter aprovação no Conselho do clube, toda a transparência que eu sempre exigi com o contrato anterior da 777, que seja com o novo investidor, que as pessoas tenham ciência do que vai ser o contrato. E o clube, que é o que a gente deseja, tenha um novo investidor, que o novo investidor consiga fazer com que o clube ande sem nenhum problema. É bom ressaltar que tem alguns exemplos de SAF que não são de sucesso, e a gente cobra tanto o profissionalismo, e muitas SAF’s não foram profissionais. Inclusive quando eu entro aqui, é salário atrasado, compromissos que foram apalavrados e não foram colocados em contrato eu honrei, com relação a passagens de jogadores que são de fora do país, que foi acordado com eles e não foi colocado no contrato, eu honrei o compromisso. Um cara que vem da associação é que teve atitudes profissionais e que vem profissionalizando o clube ainda mais. O desejo pelo investidor é muito cuidadoso, é um desejo grande, não só meu, mas de todo o grupo e também dos torcedores. Mas muito cuidadoso para que seja um investidor muito responsável com a instituição” “É difícil de cravar. São conversas boas, conversas bem adiantadas com relação aos outros NDA’s assinados e pararam bem no início, não tiveram segmento para outras etapas. Lá atrás, o (Evangelos) Marinakis só simulou, assinou o NDA, mas não andou em nada, acho que foi muito mais jogar para a galera do que realmente ter intenção de investir no Vasco, e não foram cumprindo etapas para a gente ir passando de fase. Esse investidor agora, é um investidor que já passou a primeira, segunda, terceira, quarta fases, e estamos esperando que as coisas aconteçam. Quer dizer que vai acontecer amanhã? Daqui a um mês? Quer dizer que não vá acontecer? Eu não posso afirmar. Quando acontecer, quando estiver assinado, aí a gente vai saber” Fonte: Papo Na Colina
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January 23, 2026 at 7:14 PM
Com Andrés Gómez, Cuesta, Rojas e Hinestroza, Vasco vira um atrativo para jogadores da Colômbia
Há uma colônia colombiana em formação no vestiário do Vasco. Depois de Cuesta e Andrés Gómez, o clube carioca contratou Johan Rojas e encaminhou a chegada de Marino Hinestroza para o ataque. O Vasco se tornou um atrativo para jogadores da Colômbia. Como isso aconteceu? O ge te conta. Colombianos do Vasco — Foto: Matheus Lima/Vasco Há vários motivos, mas eles estão ligados a duas pessoas contratadas pela direção do Vasco no meio do ano passado: Admar Lopes e Fernando Diniz. Uma das principais valências que Pedrinho e Felipe observaram em Admar Lopes era a capacidade de avaliar jogadores da América do Sul, especialmente de mercados como a Colômbia e o Equador. Foi por isso que uma de suas primeiras cartadas no Vasco foi a indicação da contratação de Andrés Gómez. Admar também teve participação efetiva nas negociações para a contratação de Carlos Cuesta, nome que era observado pela gestão do Vasco. Em Portugal, Admar fez parte do scout do Porto na época em que o clube contratou os colombianos Jackson Martínez e James Rodríguez. A dupla brilhou com a camisa azul e branca. O clube criou uma cultura de contratar jogadores colombianos devido ao sucesso da dupla. Depois, chegaram Luis Díaz, Quintero, Falcão Garcia, Matheus Uribe e outros. Mais clubes da Europa seguem o mesmo modelo. Falcao James Porto — Foto: Getty Images Com Admar Lopes, um dos objetivos do Vasco era criar uma cultura para atrair jogadores de potencial de seleções da América do Sul. Uma peça-chave na equação para que isso acontecesse também foi Fernando Diniz. O treinador é muito reconhecido na Colômbia pela evolução que proporcionou a Jhon Arias no Fluminense. O jogador tem uma relação de muita gratidão com o técnico brasileiro. Arias foi de uma aposta subutilizada para um ídolo do Fluminense e pilar da seleção colombiana nas mãos do treinador. James Rodríguez e Jhon Arias em Bolívia x Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa 2026 — Foto: Aizar Raldes/AFP A fama de Diniz e o poder de convencimento do treinador nas conversas com Gómez e Cuesta foram diferenciais. O Vasco e o técnico enxergavam a dupla com um grande potencial para jogar na seleção colombiana. Ambos já haviam sido convocados, mas perderam espaço no time de Néstor Lorenzo, já que não estavam atuando com regularidade. Depois de algumas atuações no Brasil, Cuesta e Gómez voltaram a ser convocados pela Colômbia. O Vasco quer fazer o mesmo com Johan Rojas e Marino Hinestroza. Hinestroza, principalmente, é visto por Diniz como um jogador capaz de decidir jogos e de um futuro muito promissor. A comissão técnica e o departamento de futebol vascaíno acreditam que o atacante ainda não atingiu o seu potencial máximo. Hinestroza foi convocado para três datas Fifa no ano passado. Ele foi relacionado para seis jogos das Eliminatórias Sul-Americanas e entrou ao fim de duas partidas. O estafe de Hinestroza dava como certa a ida para o Boca Juniors porque gostava da possibilidade de se acertar com o gigante argentino. Mas os empresários e o jogador abriram os olhos e se empolgaram ainda mais com a possibilidade de vir ao Brasil pela fama de Fernando Diniz e o projeto apresentado pelo Vasco. Fonte: ge
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January 23, 2026 at 12:42 PM
Fellipe Bastos analisa saídas de Rayan e Vegetti e revela decepção com Juninho Pernambucano
Fellipe Bastos deu sugestão a Rayan sobre saída do Vasco - Divulgação / Luísa Melo Fellipe Bastos nunca escondeu que Juninho Pernambucano era uma de suas principais referências como cobrador de falas. E, no Vasco, ele teve a oportunidade de jogar ao lado do ídolo vascaíno, mas o que poderia ser algo bom teve um resultado ruim com o convívio como companheiro de time. "Como jogador, ele era um ícone. Sempre sonhei em jogar com ele, imitava as cobranças de falta. Mas, no dia a dia, acabei me decepcionando um pouco", contou Fillipe Bastos em participação no podcast 'Basticast'. Atualmente comentarista do Sportv, o ex-jogador também opinou sobre a saída de Rayan e não considera o Bournemouth uma boa opção. O jovem atacante de 19 anos já aceitou a proposta do clube inglês, restanto apenas o Vasco aceitar a proposta e finalizar a venda de sua grande promessa. "Ele tem condição de ir para clubes maiores, como Chelsea, já está pronto para a Europa, para a Premier League, com todas as valências de um bom atacante. E se ficar mais seis meses no futebol brasileiro, tem chance de ser convocado para a Copa do Mundo", avaliou. Por outro lado, Fellipe Bastos concordou com a saída de Vegetti, liberado para o Cerro Porteño, do Paraguai. "Foi um jogador importante, ídolo da torcida, apesar de não ter ganhado títulos. Mas é muito caro ter um Vegetti no banco de reservas, ganhando o que ganha. O Vasco pode investir em outros jogadores que entregam o que o treinador quer", disse. Fonte: O Dia
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January 23, 2026 at 11:32 AM
Ex-diretor do Vasco, Franck Assunção 'reaparece' oferecendo Balotelli a clubes brasileiros
Em dezembro, antes da eliminação para o Vasco na semifinal da Copa do Brasil, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, recebeu uma mensagem no seu telefone. Era de um homem que atua como diretor do Botafogo de Cristinápolis-SE, mas o motivo do contato nada tinha a ver com o clube da terceira divisão sergipana. Em vez disso, ele se apresentou como intermediário do atacante Balotelli, ex-seleção italiana, e oferecia o jogador de 35 anos a equipes do Brasil, entre os quais o Fluminense. O homem era Franck de Sá Assunção, um personagem que orbita o universo do futebol há mais de uma década. Diretor do Vasco por um mês em 2012, ele teve seu nome ligado a tentativas midiáticas de negócios nos últimos anos. No meio da bola, diversas pessoas ouvidas pelo ge admitiram que o nome de Assunção desperta desconfiança. Franck não tem registro na Fifa, não está na lista de intermediários cadastrados pela CBF e foi preso duas vezes por porte ilegal de arma. Diante da postura fria do Fluminense, que não demonstrou interesse na contratação de Balotelli em dezembro, Franck Assunção insistiu, procurou jornalistas para divulgar a notícia e compartilhou documentos do italiano (como a imagem de um suposto passaporte) para provar que falava sério. Mas não conseguiu emplacar o negócio, tampouco o espaço na mídia na ocasião. Após passagens pela cadeia, Franck Assunção, ex-diretor do Vasco, reapareceu se dizendo intermediário de Balotelli — Foto: ChatGPT O Fluminense em momento algum abriu negociação. Algumas pessoas dentro do clube não enxergaram credibilidade no contato e consideraram o episódio uma tentativa de "cavada". No fim das contas, Balotelli acertou com o Al Ittifaq, dos Emirados Árabes. Ele estava livre no mercado desde que saiu do Genoa, da Itália, em julho passado. Os esforços de Franck Assunção na ocasião ocorreram paralelamente às atribuições dele no Botafogo sergipano. Aos 46 anos, ele está no clube desde maio de 2025. Foi anunciado como diretor-executivo, mas no perfil da equipe nas redes sociais costuma ser identificado como CEO. A página do Botafogo-SE é usado quase como um perfil pessoal de Franck, com registros do empresário em viagens a Dubai, nos Emirados Árabes, e a Doha, no Catar. Ele aparece em fotos ao lado de grandes figuras do futebol italiano, como o agente Antonio Rossellini (que morreu em 2023) e o dirigente Adriano Galliani. Também há fotos de encontros com o atual presidente do Botafogo (do Rio de Janeiro, não de Sergipe), João Paulo Magalhães Lins. O ge teve acesso ao material utilizado por Franck Assunção para se apresentar a clubes e dirigentes, que é basicamente um álbum de fotos dele ao lado de vários nomes badalados do futebol brasileiro e mundial, com legendas escritas em inglês pouco fluente. Em uma delas, Franck posa abraçado com Zico e diz ser "o homem de negócios" do maior ídolo do Flamengo. Zico foi procurado pela reportagem e negou a informação: "Conhecer eu o conheço, é possível que a gente tenha falado de alguma coisa, ele foi lá no CFZ. Mas nunca tive nada com ele em termos de business, tá? Nunca foi meu representante em nada", garantiu. Em material de apresentação, Franck Assunção se diz 'homem de negócios' de Zico — Foto: ge O ge procurou Franck para entender se ele possui uma carta de representação ou algum documento que comprove que pode se apresentar como intermediário de Balotelli, além de outros questionamentos relacionados à reportagem. A tentativa de contato foi feita por telefone, por e-mail, por meio de sua advogada e de um amigo próximo. Mas não houve resposta até a publicação da matéria. Briga e uso de arma de fogo contra um motorista Franck de Sá Assunção foi preso duas vezes em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. No ano passado, ele se livrou de uma das condenações pagando uma multa de R$ 4.942. Mas, em setembro, foi condenado a quatro anos de reclusão pelo outro crime e corre o risco de voltar à cadeia nos próximos meses. No dia 19 de março de 2021, Franck solicitou uma corrida por aplicativo em Campinas (SP). O motorista contou à polícia que, quando chegaram ao destino, o dirigente exigiu que ele seguisse viagem e o levasse a um local perigoso da cidade. E que, diante da recusa, Franck proferiu ameaças, o agrediu com um soco no rosto, sacou um revólver e chegou a tentar disparar, mas a arma falhou. Ainda de acordo com o depoimento do motorista à Justiça, Franck desembarcou do veículo, pegou outra arma e efetuou mais dois disparos na direção do carro. Nesse momento, o motorista teria acelerado o veículo, saído em alta velocidade e acionado a polícia. Na prisão em flagrante, a polícia encontrou com Franck duas pistolas, uma calibre .38 e outra calibre .22. Em uma delas, a perícia constatou vestígios produzidos por disparo recente. Além disso, foram apreendidos munições, um martelo, fitas de nylon usadas para amarras e duas máscaras de fantasia de terror. Uma das armas apreendidas com Franck Assunção na prisão em flagrante em 2021 — Foto: ge Material apreendido junto a Franck Assunção na prisão em 2011 — Foto: Polícia Militar de Campinas Franck Assunção foi solto no dia seguinte, na audiência de custódia. A juíza na ocasião levou em consideração o fato de não haver precedentes criminais e entendeu que ele não representava perigo, uma vez que as armas haviam sido apreendidas. Em dezembro de 2022, Franck foi condenado a três anos e seis meses (ou 1.260 horas) de prestação de serviços comunitários, com interdição temporária de direitos (foi proibido de frequentar bares, boates e casas de prostituição). A juíza também determinou o pagamento de pena pecuniária no valor de R$ 733,33. Trecho da ficha de relatório de vida pregressa de Franck Assunção na polícia — Foto: ge Até outubro de 2024, no entanto, Franck não havia prestado uma hora sequer de serviços comunitários. Sua defesa alegou que as seguidas viagens inerentes à profissão de agente de futebol o impossibilitavam e solicitou a conversão da pena para multa pecuniária. O Ministério Público de São Paulo foi contra, mas a Justiça por fim aceitou o pedido. Franck Assunção quitou sua dívida com a Justiça por esse caso em específico com o pagamento de R$ 4.942, em parcelas de R$ 1.647,33 pagas em janeiro, em março e em maio do ano passado. Nesse processo, consta uma Declaração de Boa Conduta assinada por João Paulo Magalhães Lins, que na ocasião era o gestor do Boavista, de Saquarema. Franck era gerente executivo do clube quando foi preso, com salário de quase R$ 15 mil, de acordo com um contracheque juntado nos autos. O atual presidente do Botafogo atestou no documento assinado no dia seguinte à prisão que Franck era "profissional, idôneo, correto, competente, responsável e com renomada atuação na área esportiva". Relembre: em 2011, Vieri se encantou com o Rio de Janeiro e tinha chances de jogar no Boavista No Boavista, Franck é apontado como um dos responsáveis por ter intermediado a vinda de Vieri ao Brasil em 2011 (os dois aparecem conversando ao fundo no vídeo acima). O ex-atacante da seleção italiana morou por alguns meses no Copacabana Palace e tinha um acordo encaminhado para defender o clube no Carioca do ano seguinte, mas precisou deixar o país por problemas pessoais e nunca chegou a vestir a camisa da equipe. Ameaça e tentativa de fuga na Dutra No dia 14 de outubro de 2023, outra prisão em flagrante. Dessa vez na Via Dutra, na altura do município de Piraí, no Rio de Janeiro. Agentes da Polícia Rodoviária Federal foram alertados de que um homem havia ameaçado uma família com arma de fogo em um posto de gasolina. Ao identificarem o veículo numa blitz, deram ordem para que ele encostasse, mas o motorista fugiu e foi perseguido por aproximadamente um quilômetro ao longo da Serra das Araras. Franck Assunção era o motorista do veículo. Ele negou que tivesse ameaçado uma família. Com ele, foram encontrados uma pistola 9mm, dois carregadores e 16 cartuchos de munição. Os policiais relataram no boletim de ocorrência que Franck apresentava hálito etílico, mas se recusou a realizar o teste do bafômetro. Franck Assunção, empresário, ex-diretor do Vasco — Foto: Arquivo Pessoal O empresário teve a prisão em flagrante convertida para preventiva pelo porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Pela Lei 10826/03 do Estatuto do Desarmamento, ainda que a pistola estivesse registrada em seu nome, Franck não poderia transitar com ela carregada e nem próxima ao corpo (a arma estava no console central do veículo). Ele apresentou registro de atirador desportivo (CAC), mas não comprovou que estava a caminho de um clube de tiro ou campeonato. Franck ficou preso por menos de duas semanas. No dia 23 de outubro, ele conseguiu um habeas corpus e saiu da prisão. O julgamento do caso ocorreu apenas em setembro do ano passado: a juíza Anna Luiza Campos Lopes condenou Franck a quatro anos e 27 dias de reclusão. Ele aguarda o trânsito em julgado em liberdade e, caso a sentença seja mantida, será preso ao fim do processo, o que pode ocorrer ao longo deste ano. "Um exemplo de enganação" Em 2017, Franck Assunção teve seu nome ligado à tentativa frustrada do Corinthians de contratar Drogba. Mas o episódio ao qual Franck é mais relacionado foi a fatídica passagem como diretor do Vasco, em 2012. Ele foi contratado sob a promessa de usar sua influência no exterior a favor do clube para conseguir um patrocínio, mas durou apenas um mês. Pessoas que fizeram parte da gestão admitiram ao ge, 14 anos depois, que tudo se tratou de "uma enorme trapalhada". Apesar da experiência curtíssima no clube, em seu material de apresentação Franck aponta que comandou o futebol do Vasco entre 2013 e 2014. Em material de apresentação, Franck Assunção diz que foi 'CEO do futebol' do Vasco entre 2013 e 2014 — Foto: ge Franck foi contratado como diretor-executivo do Vasco em março de 2012 com o objetivo único e exclusivo de ajudar o clube a sair do buraco financeiro em que se encontrava. Ele dizia ter bagagem de 18 anos vividos na Europa, a maior parte desse tempo na Itália, e vendeu ao clube a possibilidade de conseguir um patrocinador estrangeiro. O presidente do Vasco era Roberto Dinamite. Na época, o ex-jogador Henrique, bicampeão estadual pelo Vasco em 87 e 88, contou ter sido o elo entre Franck e a diretoria. Daniel Freitas ocupava o cargo de executivo do clube e conta que ficou com uma pulga atrás da orelha logo na primeira reunião com Franck e seus representantes, num restaurante de luxo em Copacabana. - Até então, eu não sabia o motivo da reunião, estavam o (José Hamilton) Mandarino (VP de futebol), o Roberto e mais quatro pessoas, todas vestidas de terno, estilo europeu, calcinha apertada, sapatinho sem meia. E uma delas foi apresentada como Franck Assunção. Me disseram que o Franck estaria chegando para ser o diretor executivo do Vasco - se lembra ele. "Eu achei aquilo muito estranho, não me passaram nenhum tipo de credibilidade, embora estivessem muito bem vestidos", completa. Coletiva de apresentação de Franck Assunção como diretor do Vasco em 2012. Ao seu lado estavam José Hamilton Mandarino e Roberto Dinamite — Foto: GloboEsporte.com A coletiva de apresentação ocorreu no dia 8 de março. Quem acompanhou lembra que foi um constrangimento geral. Franck gaguejou, teve dificuldade de responder às perguntas dos jornalistas a respeito da função para qual estava sendo contratado e precisou ser auxiliado ora por Mandarino ora por Dinamite. O vídeo da apresentação não aparece mais no canal oficial do clube no YouTube. Franck preparou um discurso de 13 folhas, não leu sequer a metade e deixou os papéis na sala da coletiva. O texto tinha rasuras, falava em "ousadia calculada" e previa até um momento para gesticular para os jornalistas. Trechos do discurso preparado por Franck Assunção na sua apresentação no Vasco — Foto: ge - Isso tudo se transformou numa enorme trapalhada. Na realidade ele não tinha nada a oferecer. Era um camarada que deve ter sido empurrado sem absolutamente ter se preparado para desempenhar esse papel. Virou um exemplo de enganação - afirma Mandarino. "Foi um episódio muito mais para galhofa, para o ridículo, exemplo de tentativa de fraude do que outra coisa qualquer", completa. Daniel Freitas recorda a reação dos jogadores quando Franck foi apresentado a eles no vestiário de São Januário. - Foi uma cena bem constrangedora. Todo o elenco reunido, eu entrei e falei que teria uma reunião com o presidente e o Mandarino. Daqui a pouco, entraram o Franck e mais três ou quatro caras que o acompanhavam. E a reação dos atletas foi muito engraçada, eles se olhavam e riam de canto de boca. Quando Franck começou a falar, eles se entreolhavam e meio que riam disfarçadamente - lembra. Em seu currículo, Franck dizia que havia trabalhado no Ascoli, da Itália, e no Chiasso, da Suíça. No entanto, os dois clubes negaram essas informações em contato com o ge na época, o que aumentou a desconfiança sobre o novo diretor. Franck em seguida viajou para a Europa e chegou a se encontrar com Dinamite numa cidade pequena no interior da Suíça para debater parcerias, mas nada saiu do papel. O Vasco decidiu demiti-lo 30 dias depois do anúncio, mas Franck continuou na Europa apresentando-se como funcionário do clube - como no episódio em que jurou ter conseguido o patrocínio de um instituto financeiro com sede no Chipre. - Foi uma aventura modelo Trapalhões. Um ato ridículo, que foi a tentativa de exploração do suposto prestígio que esse camarada teria, diante da pessoa que era. Ele não produziu nada, não fez nada, caiu no vazio e no momento seguinte foi demitido - conclui Mandarino. Fonte: ge
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January 23, 2026 at 10:53 AM